Blog dum gajo do Porto acerca de gaijas, actualidade política e sem futebol. Aqui o marmelo não gosta de futebol

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004


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Trompe l'oeil


Shemale



Essa mulher que olhei como os parolos,
em plena rua, descaradamente,
essa fonte de incontáveis torcicolos,
loira explosão de desejo urgente,

engatei-a com papas e com bolos
ou seja – notas, resumidamente,
e na cama a meti entre dois golos
de uma rara e velhíssima aguardente.

Despiu-se então ela à minha frente,
da cintura para cima e, de repente,
já não cabia em si meu duro malho.

Porém, logo murchou apavorado
ao ver sob as cuecas enrolado,
entre negros colhões, viril caralho

Fernando Correia Pina
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SALDO NEGATIVO

Dói muito mais arrancar um cabelo a um europeu

que amputar uma perna, a frio, a um africano.

Passa mais fome um francês com três refeições por dia

que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe

que um indiano com lepra.

Sofre muito mais uma americana com caspa

que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito a um belga

que roubar o pão da boca a um tailandês.

É muito mais grave deitar um papel para o chão na Suíça

que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o shador de uma muçulmana

que o drama de mil desempregados em Espanha.

É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco

que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda

que a de insulina nas Honduras.

É mais revoltante um português sem telemóvel

que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num colonato hebreu

que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie uma menina inglesa

que a visão do assassínio dos pais a um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos

numa conta sem provisão do ocidente.


Fernando Correia Pina

Che Guevara

Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.

De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece.

Sophia de Mello Breyner Andresen

GRAND JACQUES (c'est trop facile)

C'est trop facile d'entrer aux églises
De déverser toute sa saleté
Face au curé qui dans la lumière grise
Ferme les yeux pour mieux nous pardonner

Tais-toi donc, grand Jacques
Que connais-tu du Bon Dieu
Un cantique, une image
Tu n'en connais rien de mieux

C'est trop facile quand les guerres sont finies
D'aller gueuler que c'était la dernière
Ami bourgeois vous me faites envie
Vous ne voyez donc point vos cimetières?

Tais-toi donc, grand Jacques
Laisse-les donc crier
Laisse-les pleurer de joie
Toi qui ne fut même pas soldat

C'est bien facile quand un amour se meurt
Qu'il craque en deux parce qu'on l'a trop plié
D'aller pleurer comme les hommes pleurent
Comme si l'amour durait l'éternité

Tais-toi donc, grand Jacques
Que connais-tu de, l'amour
Des yeux bleus, des chaux foin
Tu n'en connais rien du tout

Et dis-toi donc grand Jacques
Dis-le-toi bien souvent
C'est trop facile
C'est trop facile
De faire semblant

JACQUES BREL

Ó mão direita

Ó mão direita, nobre mão que empunhas
copo, garfo, caneta, mão que escreves,
mão sempre de luto sob as unhas,
mão que catas burriés com gestos breves.

Mão cujos tremores são testemunhas
de longas noites de alegrias breves,
mão que ousas mais do que supunhas,
dócil senhora que tão bem me serves.

Mão, ó esplendor da anatomia,
ó foz de cinco rios de alegria
em cuja água renasço e sou poeta.

Mágica mão que em digital concerto
me alivias às vezes num aperto
fazendo-me, a cappella, uma punheta.


Fernando Correia Pina

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

LA CASADA INFIEL

Y yo que me la lleve al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.

Fue la noche de Santiago
y casi por compromiso.
Se apagaron los faroles
y se encendieron los grillos.
En las últimas esquinas
toque sus pechos dormidos,
y se me abrieron de pronto
como ramos de jacintos.
El almidón de su enagua
me sonaba en el oído
como una pieza de seda
rasgada por diez cuchillos.

Sin luz de plata en sus copas
los árboles han crecido
y un horizonte de perros
ladra muy lejos del río.

*

Pasadas las zarzamoras,
los juncos y los espinos,
bajo su mata de pelo
hice un hoyo sobre el limo.
Yo me quité la corbata.
Ella se quito el vestido.
Yo, el cinturón con revólver.
Ella, sus cuatro corpiños.
Ni nardos ni caracolas
tienen el cutis tan fino,
ni los cristales con luna
relumbran con ese brillo.

Sus muslos se me escapaban
como peces sorprendidos,
la mitad llenos de lumbre,
la mitad llenos de frío.
Aquella noche corrí
el mejor de los caminos,
montado en potra de nácar
sin bridas y sin estribos.

No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
Sucia de besos y arena,
yo me la llevé del río.
Con el aire se batían
las espadas de los lirios.

*

Me porté como quien soy.
Como un gitano legítimo.
Le regalé un costurero
grande, de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río.

Federico García Lorca

Lição de História Pátria

Sabias - disse-me ela fazendo-me a punheta -
que muito valentão entala a costeleta
e que entre os nossos reis, valorosos guerreiros,
muitos houve que foram famosos paneleiros
que entre duras batalhas e esforçados trabalhos
recheavam o cu com túrgidos caralhos.
Sabias por acaso que o primeiro Pedro, o Cru,
mais que a foder gozou indo levar no cu?
E que o primeiro Afonso que à mãe não perdoava
se deixava montar por Fernão Peres de Trava?
E quantos, ah! ó quantos grandes deste país
fizeram do cu vaso para meter a raiz?
Cuidado! gritei eu afagando-lhe o lombo -
faz isso com mais calma que os colhões não são bombo.
Desculpa - disse-me ela. - Depois continuou
revelando-me a rir que o seu próprio avô
que morrera com fama de grande putanheiro
passara toda a vida a levar no traseiro.
E a Igreja? - gritou - Do padre ao cardeal
toda ela se entregou à banana fatal
e a esse mesmo fruto que faz de um cu vulcão
se entrega toda a cáfila que governa a nação :
ministros, secretários e directores-gerais
todos abrigam pichas nos albergues anais...
E safou-se Salazar de ser também rabicho
porque nesse momento gritei e vim-me em esguicho.


Fernando Correia Pina

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004


Juro que é verdade.
Sou mesmo eu na fotografia.
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Muito útil. Posted by Hello

O cartaz mais em pormenor Posted by Hello

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Tinha de ser o Eça Posted by Hello

sem comentários Posted by Hello

E depois comeu-os a todos....e foram felizes para sempre Posted by Hello

Obrigado ao CB Posted by Hello

Deus é grande.

Deus existe!
O anónimo que escreveu o comentário:

Foda-se, mas que merda é esta?!? Um tipo não pode ler isto!!! Ma tumba? Seria na Matumbina, de quem o Fernando Rocha tanto fala, que tu estrias a pensar????

Também se enganou.
Em que estria eu a pensar !

E como vem aí o ano Novo não é má ideia fazer algumas confissões. Claro que não vale a pena exagerar!
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E foi fazer gestos obscenos ma tumba do Filipe IV de Espanha, terceiro de Portugal.....não estava nuinguem a ver..... Posted by Hello

O Sousa esteve ausente porque esteve em Madrid..... Posted by Hello

Sugestão de prenda de Natal. Atenção ! Se for para a tia que vai deixar a herança devem comprar bastante vaselina ou , em alternativa, dar vários relaxantes musculares ao gato, ou à tia! Posted by Hello

No Natal devemos lembrar-nos dos mais desfavorecidos. Posted by Hello

Para lembrar que é Natal! Posted by Hello

É Natal...

Krido Paina Tal
Eu qeria resseber um joginho espassiale de przente de na tal.
Tenho cido um boum mnino nest anu.
Adorute,
Marco
Querido Marco,
A tua ortografia é excelente! Pareces um saloio a escrever...
Definitivamente terás uma brilhante carreira na vida...como ajudante de
pedreiro! Tens a certeza que não preferes um livro de português?
Quanto ao joguinho espacial, darei um ao teu irmão. Pelo menos ele sabe
escrever!
Um abraço,
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Não sei se pode ser, mas gostaria de ver os meus pais juntos outra vez,
ainda este ano.
Com amor,
Júlia.
Querida Júlia,
E o que é que queres mais, miúda?
Que eu arruíne a relação do teu pai com a boazona da secretária dele?
Que ele não possa mais brincar com aquelas mamocas gloriosas? Com aquelas
trancas fenomenais?
É melhor dar-te uma Barbie.
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Tenho sido muito boazinha este ano. A única coisa que peço é paz e muito
amor para o mundo.
Com amor,
Sara.
Querida Sara,
Que merdas é que andas a fumar? Ganzas?
Vou dar-te um cachimbo marroquino.
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Fazem 3 anos que tenho vindo a pedir um camiãozinho de bombeiros, e nada.
Por favor vê se desta vez me trazes um!
Obrigado,
Paulo.
Querido Paulo,
Os teus pedidos já estão a chatear-me!
Outra coisa, não é "fazem 3 anos"... porra, ainda não aprendeste?
Usa sempre "há 1 ano", "há 3 anos", "há 2.000 anos". O verbo fazer no
sentido de tempo não tem plural...ah, esquece!
Mas enfim, quando estiveres a dormir, incendeio a tua casa. Assim, terás
todos os camiões de bombeiros com que sempre sonhaste!
Pai Natal
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Querido Pai Natal,
Quero uma bike, uma nintendo, um computador, uma caixa de Lego, um cãozinho,
um pónei e uma guitarra.
Com carinho,
Tibúrcio.
Querido Tibúrcio,
Mais alguma coisa?
Quem foi o infeliz que te pôs essa porra de nome? Porém, tenho uma sugestão.
Porque é que não pedes um nome novo? Tipo...Astreugésilo, Germínio, Zebedeu,
qualquer coisa assim!
Este ano não levas nada!
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Deixei por baixo da árvore de Natal umas empadas para ti e cenouras para as
renas.
Um beijinho,
Susana.
Querida Susana:
Empadas dão-me volta aos intestinos, e as cenouras fazem as renas bufarem-se na minha cara.
Queres agradar-me, sua chatinha?
Em vez de porcarias, põe uma garrafa de Chivas e diversos aperitivos, e convence a tua mãe a vestir aquela lingerie transparente que ela usa para fazer uns jeitos ao teu vizinho de baixo.
Ah! Não ponhas Bolo-rei, porque detesto!
Contentas-te com uma caixa de lápis de cor?
Um beijão,
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Como diz aquela canção: "Venha velhinho, de noitinha, quando durmo o meu
soninho..."
Espero por ti, Paizinho Natalinho!
Adoro-te,
Joana.
Querida Joana:
Como és manhosa! Queres é ver se me lixas com essas promessas de
badalhoquice, para os teus pais tirarem um vídeo comprometedor e me
chantagearem por toda a vida!
Levas um par de meias.
Pai Natal.
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Querido Pai Natal,
Por favor! Por favor! Por favor! Dá-me um cãozinho! Por favor! Por favor!
Por favor! Por favor!
Com imploração,
Joãozinho.
Querido Joãozinho,
Esse tipo de choraminguice maricóide funciona melhor com os teus pais, já
que és adoptado, e eles é que ainda têm paciência para te aturarem (o cheque
da Segurança Social também ajuda...).
Pára de ser merdoso!
Vou dar-te outro pijama!
Pai Natal.