Blog dum gajo do Porto acerca de gaijas, actualidade política e sem futebol. Aqui o marmelo não gosta de futebol

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

mais disparates sortidos escritos pelo Sousa

A primeira parte da história está aqui e a segunda aqui


Terceira parte da história





Já confessamos, e pode constatar quem leu o capítulo anterior que o dito foi mesmo para encher. Falho de imaginação para relatar cenas de sexo explicito, recheadas de práticas muito contra-natura, optou o Sousa por meter muita palha no meio. Repare-se que isto não é o pecado original, não senhores, basta ouvir uma ópera de cabo a rabo para perceber que muito daquilo era para matar tempo. O que não implique forçosamente que a ópera não tenha momentos divinos o que não é, de todo em todo, o caso do presente relato.

Ora vimos nós que o homem estava decidido a ir ás putas e que, salvo doença súbita ou volta de Cristo à terra, nada o iria deter.

Fez-se à estrada, que neste caso é rua, porque mesmo nesses tempos de antanho a cidade do Porto já tinha ruas, e começou a pensar onde iria.

Se bem que não estivesse em Paris, em Hamburgo ou mesmo em Lisboa onde a oferta era claramente superior e mais diversificada havia na Invicta bastante por onde escolher.

Postas de parte as putas de rua, recurso a que os amigos muitas vezes a horas tardias, e diga-se em abono da verdade com alguma pressa de chegar a casa recorriam para aliviar a tomatada num broche rápido, muitas vezes dentro do carro. Eram relatos poucos explícitos estes, havendo no ar uma certa vergonha da sordidez do acto. Acresce ao facto das putas de rua serem muitas vezes putos e, mesmo o simples e trivial acto de ter um puto de oito ou dez a chuchar na pila podia, e com alguma razão, pôr em causa a estrita heterossexualidade do chupado, que não do chupador, porque destes, dados os hábitos, o extracto económico de onde saiam, nada era de molde a escandalizar a moral das pessoas de bem. Esta gente é mesmo assim e desde a mais tenra idade tende, com a mesma naturalidade da cebola que tende a grelar mesmo na nossa cozinha, aos actos imorais, ilícitos e a maior parte das vezes ilegais. Gente de outro nascimento, sem fé nem lei, cujas aptidões naturais vão para a prostituição, igualmente nos dois sexos, para o furto , roubo e para as paixões anormais.

Estes miúdos e miúdas de rua, que no meio de prostitutas mais experientes, iniciavam a sua carreira venérea já tinham em si, talvez fruto do mau sangue, o vicio e a vontade destas práticas.

Se bem que ao nosso António uma menina fresquinha lhe fosse apetecível a horrível, mais que previsível e inevitável , promiscuidade com rapazinhos viciosos e prostitutas mais velhas impediam ab ovo qualquer possibilidade de ir comemorar com uma putita de doze ou treze anos a sua festa de anos assim apanhada na rua. Até porque embora a policia fosse vigilante parece que algumas delas tinha o péssimo habito de roubar coisas aos clientes.

No entanto, e assim como que sendo um apetizer, até porque não tinha ainda ideia formada e porque ainda era cedo, decidiu dar uma volta pela cidade e ver a oferta da rua.


Como estava na praça de Velazquez, ainda não renomeada Sá Carneiro decidiu descer a rua de Santos Pousada. Nada mais do que esperava. Putas bastantes vistosas nas esquinas, muitos carros parados a justar preços. Nada de especial. Já sabia que era costume usarem saias curtas e garridas, cabelos compridos pintados dum louro de má qualidade, mas que botava alguma vista na noite e geralmente usavam botas. Tudo isto ao longe porque ao perto eram mulheres já duns trinta, muitas vezes a virar para os quarenta e tais, muito rodadas nestas coisas. Havia, segundo os eruditos amigos, grandes brochistas entre elas, prática que, mesmo entre as putas da época não era tão vulgar como se pensa. Se nestes tempos de perdição, como muito bem apontam a hierarquia católica, as testemunhas de jeová, os evangélicos e todos os outros defensores da moral e dos bons costumes, qualquer senhora casada pratica sexo oral com o marido e, na maior parte das vezes, bem ou mal é correspondida. Nesses tempos tais práticas eram exclusivo de mulheres de vida fácil e mesmo assim não de todas. A expressão tudo ao natural significava o coito na posição do missionário, sem o incómodo do preservativo, com exclusão clara de qualquer prática contra-natura. Práticas contra-natura que como toda a gente sabe são práticas sexuais que contrariam os ditames da natureza. Se se misturar algum Rosseau e o seu bom selvagem, bastante Freud lido nos Readers Digest e as partes más do santo Agostinho conseguimos um boa definição de contra-natura. Está-se mesmo a ver que o contrário de contra natura é o tudo ao natural, pelo que se comprova que vox populi vox dei, mesmo que esta, salvo seja, saia da boca conspurcada duma prostituta de rua pouco dada a fazer broche. Não havia consenso entre os autores se o sexo anal era ou não contra natura. Quando praticado na intimidade do lar a fim de evitar uma gravidez indesejada, com uma menina virgem que queria guardar o himen para a noite de núpcias – desde que com o noivo e apenas em véspera de casamento-ou mesmo com uma puta – que até é paga para isso – não nos parece que fosse assim contra natura. Era um sucedâneo do acto em si e não uma violação grosseira da vontade e lei da natureza. Quando praticado entre homens, especialmente adultos, era infamante para o enrabado e relativamente desculpável para o enrabador. Todos sabemos que são tamanhas as forças do tesão que até se enraba o morto no caixão. O que levava no traseiro era claramente um paneleiro e salvo se ocupasse um lugar proeminente na hierarquia do estado ou da igreja não deveria ter alguma desculpa ou aceitação nos meios sociais sãos. No que toca aos putos temos de distinguir duas situações completamente diferentes. Aqui há os meninos e os rapazes. Os meninos, nascidos de familias devidamente constituidas, educação e algo de seu tem, desde o berço, uma clara repulsa por levar no cu. O mesmo se pode dizer de outras práticas contra- natura. Se algum adulto o faz ou tenta está a corromper um jovem e é, merecidamente dizemos nós, castigado. Já o mesmo não se pode dizer dos rapazes, pobres de nascimento, mas o que é pior de valores e até de religião, cujo sangue abastardado pelo mau vinho e péssimos hábitos das mães, e a falta de valores dos pais, cujos a maior parte das vezes nem se sabe quem é, os leva, desde a mais tenra idade a mostrarem uma natural tendência para todos vicio. Ora todos sabemos que o pior dos vicios é o sexual e nestes casos pouco ou nada há a fazer. Está-lhes na massa do sangue a vontade imperiosa de chupar na piça e levar no cu de homens mais velhos. O mesmo acontece com as irmãzinhas cuja sensualidade precocemente despertada as leva igualmente desde a mais tenra idade a desejarem receber rebuçados do senhor doutor, uma nota de quinhentos escudos para levar à mamã do senhor engenheiro o que as leva invariavelmente no caminho do vicio e do dinheiro fácil. O minete era outro dos interditos entre pessoas de bem. Podia fazer-se como segredo bem guardado de alcova mas estes feitos não se contavam. Eram designados por trombeiros os que o faziam e ocupavam um lugar entre os paneleiros e os impotentes. Mesmo no recato do lar, com as cortinas bem cerradas e com a legitima esposa se tal se fazia não se contava.

Nas ruas do Porto de então havia uma panóplia de exemplos destes desvios e vicios. Só não via quem não queria, para grande horror das familias, o triste espectáculo que davam tais personagens tentando corromper pessoas sérias como o nosso António para práticas libidinosas. Sim, porque diga-se em bom abono da verdade, que o que movia estas pessoas não era o dinheiro em si, porque só não tinha trabalho quem não queria, mas antes uma corrupção moral certamente congénita, que as levava os maiores desvairos.

No fim da rua de Santos Pousada viu uma personagem curiosa de quem muito ouvira falar. Era a que não tinha céu da boca. Mulher de idade indefinida, teria sessenta na altura? Tinha como característica distintiva o não ter céu da boca. Assim era muito fanhosa e oferecia, segundo ela,blo´e in´gulo ´udo inte aus, que no seu linguarejar queria dizer que fazia broche e engolia tudo por vinte escudos. Desviou o olhar com horror. Era uma velha vestido com pouco mais de trapos. Passou-lhe pela cabeça a ideia que se calhar não era só pelo gozo que ela andava na rua.

Virou em direção à Câmara do Porto. Aí a oferta era diferente. Miúdos e miúdas, regra geral magros, ofereciam os serviços nas pensões mais rascas e até em hotéis mais respeitáveis. Era tudo, sabia ele de fonte limpa, uma questão do tamanho da carteira do cliente. Começava o serviço num broche no carro, acessível a todas as bolsas, passava pela pensão rasca com lavatório e bidet no meio do quarto, sem sanita, vá-se lá saber porque e acabava no hotel cujo empregado, untado por uma nota de cem paus, deixava o feliz cliente entrar com as ninfas ou até com os efebos. Eram crianças sujas, de muito baixo extracto social, habituadas desde sempre a estas práticas e muito dadas e dados a furtos aos clientes como já foi dito antes. Felizmente nesses tempo podia-se contar com a policia para reaver algum bem perdido, sendo muito conhecida a esquadra de Cedofeita, que operava milagres na recuperação de bens perdidos. Meninos e meninas preferiam devolver o bem furtado, ou até furtar outro para indemnizar a perda, que entrar na esquadra. É que isto da porrada, independentemente dos valores morais, é sempre porrada e dói que se farta.

Diga-se em abono da verdade que uma miúda ai duns dez anos quase que o convenceu. Era magrita como todos e ele até parou o carro. Ela falou muito e prometeu ainda mais mas não o convenceu. Tinha bastante cheiro a sujo e não lhe agradou de todo. Não foi determinante mas a chegada do carro da policia levou-o a procurar novas paragens. O carro parou ao lado dele e o policia perguntou-lhe se havia problema. Respondeu que não e o policia aconselhou-o a ir para outro sitio porque aqui só havia ladras e paneleiros. Cuidado com a carteira , acrescentou e partiram a rir-se.

Razão tem os policias, pensou o António, que eles é que conhecem estas merdas e ainda acabo a noite sem carteira e sem relógio.

Lembrou-se duma história curiosa: havia na alfândega uma funcionária, que pese ser de boas familias era mãe solteira. Uma nódoa indelével numa familia de bem cuja filha arranja uma filha de contrabando. Nada como tempo para lavar as nódoas e, passado o periodo de nojo lá acedeu a familia que fosse admitida na administração do estado, com promessas de comportamento exemplar – exemplarissimo-como disse um tio padre, muito dado a arroubos de erudição e , isto diziam as más línguas, a enrabar meticulosamente miúdos duma obra de caridade que um bom amigo dele mantinha na mesma Invicta- Pensamos que tudo isto são más línguas até porque nem a organização tinha nada a ver com caridade.

Lá foi crescendo a filha do pecado até ter idade suficiente, os tais trinta e cinco quilos, para excitar os desejos libidinosos dum rapaz, mais velho, e dado ao vicio da heroína.

Vê-la, amá-la e pô-la a render, sob os olhares de todas as familias do Porto que na altura tinham de frequentar a baixa para ir ao cinema, foi um ai.

Como se vê um mal nunca vem só e o sangue abastardado da mãe passara para miúda, que na altura já era uma marmanjona quase com treze anos, que insistia em enlamear o bom nome da familia, dedicando-se publica e notoriamente à mais antiga profissão do mundo, perante o olhar enojado das mães de familia que passavam, para sustentar o seu vicio e o do meliante. Como se vê nestas coisas de reprodução não é o de baixo que sobe mas o de cima que se avilta no coito.

O caso é que a miúda fazia o trottoir junto ao palácio dos correios, ao lado da camara, e já fora vista, com bastante horror, por várias familias. Dizia-se, mas isto não é certo, que a policia qualquer dia lhe deitava a mão.

Quem lhe deita a mão, que eu tenho medo, que isto de putas não é comigo, que não é nada comigo e outras desculpas esfarrapadas andaram a girar até que o Melo, rapaz jovem e dado arroubos românticos vê a rapariga nos correios uma noite. Pára o carro, mostra uma nota de quinhentos paus, tapa a cara com a outra mão e lá convence a miúda a entrar no carro. Ela reconhece-o e foge, felizmente rua acima. Corre o Melo atrás dela apanha-a e chega a policia. Explicada a situação que a quer levar à familia, não à mãe, mas um tio, teso e de bons costumes, que a vai fazer entrar na linha. Riem-se os policias e afiançam que ela vai fugir. Ao principio pensaram que ela o estava a roubar e preparavam-se para lhe dar umas porradas. Depois condoeram-se. Uma miúda tão nova, que sim, que em casa do tio estava melhor. Eles não podem dar uma ajuda que estão no fim do turno mas que o melhor é amarrá-la com um cinto e levá-la assim Assim fez o Melo e lá levou a rapariga.

O desgosto do tio. Pessoa de bem com um bigode farto, muito amigo da familia e dos bons costumes. Personagem exemplar e um pândego. Não podia haver sopeira novita que não saísse lá de casa grávida dele. O que a mulher se abespinhava. Chamava-lhe porco e despedia a sopeira. Boa senhora era ela. Sempre o perdoava. As raparigas lá seguiam o fado da rua das Virtudes e da rua da Madeira.

Agora o desgosto que deve ter tido com a sobrinha, que mesmo de contrabando sempre é sobrinha e sangue deve ser difícil de avaliar. Uma coisa assim é de arrasar uma pessoa.

Com este fait divers acaba o Sousa esta parte do relato, ainda sem sexo explicito. Juro que não foi para encher. Falou-se de putas, de santo Agostinho, de Rosseuau e até de sexo com menores. Não foi mau de todo.

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