Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Blog dum gajo do Porto acerca de gaijas, actualidade política e sem futebol. Aqui o marmelo não gosta de futebol
sábado, 3 de junho de 2006
Florbela Espanca
....
Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...
Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!
Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...
Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!
Natália Correia
Mocinhas gráceis...
Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.´
....
Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.´
....
Fernando Correia Pina
Fado da Serafina
Por trás ou pela frente, é indiferente.
Na boca ou entre as mamas, é trabalho
e a quem disser que gozo doidamente
o foda eternamente um bom caralho.
O leite que bebi azedou todo,
a carne que comi não soube a nada
e é sempre a mesma coisa quando fodo,
a ensossa fast-foda requentada.
Envelhecida, triste e sifilítica,
do bar de luxo fui para o passeio
e do passeio passei à beira-estrada
e hoje a cona me ralha apocalíptica -
pega por pega, antes foras política,
puta por puta, mil vezes deputada
Por trás ou pela frente, é indiferente.
Na boca ou entre as mamas, é trabalho
e a quem disser que gozo doidamente
o foda eternamente um bom caralho.
O leite que bebi azedou todo,
a carne que comi não soube a nada
e é sempre a mesma coisa quando fodo,
a ensossa fast-foda requentada.
Envelhecida, triste e sifilítica,
do bar de luxo fui para o passeio
e do passeio passei à beira-estrada
e hoje a cona me ralha apocalíptica -
pega por pega, antes foras política,
puta por puta, mil vezes deputada
recados do Alexandre O'Neill
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
José Martí
Con la primavera
Viene la canción,
La tristeza dulce
Y el galante amor.
Con la primavera
Viene una ansiedad
De pájaro preso
Que quiere volar.
No hay cetro más noble
Que el de padecer:
Sólo un rey existe:
El muerto es el rey.
Viene la canción,
La tristeza dulce
Y el galante amor.
Con la primavera
Viene una ansiedad
De pájaro preso
Que quiere volar.
No hay cetro más noble
Que el de padecer:
Sólo un rey existe:
El muerto es el rey.
poesias várias
Es rubia: el cabello suelto
Da más luz al ojo moro:
Voy, desde entonces, envuelto
En un torbellino de oro.
La abeja estival que zumba
Más ágil por la flor nueva,
No dice, como antes, "tumba":
"Eva" dice: todo es "Eva".
José Martí
Da más luz al ojo moro:
Voy, desde entonces, envuelto
En un torbellino de oro.
La abeja estival que zumba
Más ágil por la flor nueva,
No dice, como antes, "tumba":
"Eva" dice: todo es "Eva".
José Martí
A única rainha da noite: Maria Callas! E traduzido...

Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen, Hells Revenge cooks in my heart,
Tot und Verzweiflung flammet um mich her! Death and despair flame about me!
Fühlt nicht durch dich Sarastro If Sarastro does not through you feel
Todesschmerzen, The pain of death,
So bist du meine Tochter nimmermehr. Then you will be my daughter nevermore.
Verstossen sei auf ewig, Disowned may you be forever,
Verlassen sei auf ewig, Abandoned may you be forever,
Zertrümmert sei'n auf ewig Destroyed be forever
Alle Bande der Natur All the bonds of nature,
Wenn nicht durch dich If not through you
Sarastro wird erblassen! Sarastro becomes pale! (as death)
Hört, Rachegötter, Hear, Gods of Revenge,
Hoert der Mutter Schwur! Hear a mother's oath!
mais recados
Uma tradução para Inglês da área Si, Mi Chiamano Mimi de la Boheme….
Mimì
Yes, they always called Mimi,
but my real name is Lucia.
This story of mine is brief:
To linen and silk I embroider,
at my home or away...
I have a quiet, but happy life,
and my pastime
is making lilies and roses.
I delight in these pleasures.
These things have such sweet charm,
they speak of love, of Spring,
of dreams and visions and
the things that have poetic names.
Are you understanding me?
Rodolfo
Yes.
Mimì
They always call me Mimi,
I know not why!
All alone
I make myself dinner.
I don't attend mass often,
but I pray to the Lord frequently.
I live by myself, all alone,
in my little white room.
I look upon the roofs and the sky.
But when the thaw comes,
the first warmth of the sun is mine,
the first kiss of April is mine!
In a vase a Rosebud blooms,
I watch as petal by petal unfolds,
with its delicate fragrance of a flower!
But the flowers that I sew,
alas, have no fragrance.
There's nothing more
I can tell you about myself.
I am your neighbour, who knocks
at your door so late disturbing
you at inopportune moment.
Mimì
Yes, they always called Mimi,
but my real name is Lucia.
This story of mine is brief:
To linen and silk I embroider,
at my home or away...
I have a quiet, but happy life,
and my pastime
is making lilies and roses.
I delight in these pleasures.
These things have such sweet charm,
they speak of love, of Spring,
of dreams and visions and
the things that have poetic names.
Are you understanding me?
Rodolfo
Yes.
Mimì
They always call me Mimi,
I know not why!
All alone
I make myself dinner.
I don't attend mass often,
but I pray to the Lord frequently.
I live by myself, all alone,
in my little white room.
I look upon the roofs and the sky.
But when the thaw comes,
the first warmth of the sun is mine,
the first kiss of April is mine!
In a vase a Rosebud blooms,
I watch as petal by petal unfolds,
with its delicate fragrance of a flower!
But the flowers that I sew,
alas, have no fragrance.
There's nothing more
I can tell you about myself.
I am your neighbour, who knocks
at your door so late disturbing
you at inopportune moment.
mais recados tio Eça para o A, dos Maias
E o seu gesto mole e acariciador indicava a Toca, a quietação dos arvoredos, a beleza de Maria. Depois na sala, enquanto Maria tocava um nocturno de Chopin e Carlos e ele acabavam os charutos à porta do jardim vendo nascer a lua - Ega declarou que, desde o começo do jantar, estava com ideias de casar!... Realmente não havia nada como o casamento, o interior, o ninho...
- Quando penso, menino, murmurou ele mordendo sombriamente o charuto, que quasi todo um ano da minha vida foi dado àquela israelita devassa que gosta de levar bordoada...
- Que faz ela em Sintra? perguntou Carlos.
- Ensopa-se na crápula. Não há a menor dúvida que dá todo o seu coração ao Dâmaso... Tu sabes o que nestes casos significa o termo coração... Viste já imundície igual? É simplesmente obscena!
- E tu adora-la, disse Carlos.
O outro não respondeu. Depois, dentro, num ódio repentino da boémia e do romantismo, entoou louvores sonoros à família, ao trabalho, aos altos deveres humanos - bebendo copinhos de cognac. Á meia noite, ao sair, tropeçou duas vezes na rua de acácias, já vago, citando Proudhon. E quando Carlos o ajudou a subir para a vitória, que ele quis descoberta para ir comunicado com a lua, Ega ainda lhe agarrou o braço para lhe falar da Revista, dum forte vento de espiritualidade e de virtude viril que se devia fazer soprar sobre o país... Por fim, já estirado no assento, tirando o chapéu à aragem da noite:
- E outra coisa, Carlinhos. Vê se me arranjas a inglesa... Há vícios deliciosos naquelas pestanas baixas... Vê se ma arranjas... Vá lá, bate lá, cocheiro! Caramba, que beleza de noite!
- Quando penso, menino, murmurou ele mordendo sombriamente o charuto, que quasi todo um ano da minha vida foi dado àquela israelita devassa que gosta de levar bordoada...
- Que faz ela em Sintra? perguntou Carlos.
- Ensopa-se na crápula. Não há a menor dúvida que dá todo o seu coração ao Dâmaso... Tu sabes o que nestes casos significa o termo coração... Viste já imundície igual? É simplesmente obscena!
- E tu adora-la, disse Carlos.
O outro não respondeu. Depois, dentro, num ódio repentino da boémia e do romantismo, entoou louvores sonoros à família, ao trabalho, aos altos deveres humanos - bebendo copinhos de cognac. Á meia noite, ao sair, tropeçou duas vezes na rua de acácias, já vago, citando Proudhon. E quando Carlos o ajudou a subir para a vitória, que ele quis descoberta para ir comunicado com a lua, Ega ainda lhe agarrou o braço para lhe falar da Revista, dum forte vento de espiritualidade e de virtude viril que se devia fazer soprar sobre o país... Por fim, já estirado no assento, tirando o chapéu à aragem da noite:
- E outra coisa, Carlinhos. Vê se me arranjas a inglesa... Há vícios deliciosos naquelas pestanas baixas... Vê se ma arranjas... Vá lá, bate lá, cocheiro! Caramba, que beleza de noite!
ao A para ler e meditar. Recado do Eça, nos Maias
Carlos não respondeu. Examinava outra vez o bilhete: o homem chamava-se Joaquim Alvares de Castro Gomes: por baixo tinha escrito a lápis «Hotel Bragança»... Baptista voltara com a sobrecasaca: e Carlos, abotoando-a devagar, saiu sem outra mais palavra ao Ega, que ficara de pé junto da mesa, limpando estupidamente as mãos ao guardanapo.
No salão nobre, forrado de brocados cor de musgo de outono, Castro Gomes examinava curiosamente, com um joelho apoiado à borda do sofá, a esplêndida tela de Constable, o retrato da condessa de Runa, bela e forte no seu vestido de veludo escarlate de caçadora inglesa. Ao rumor dos passos de Carlos sobre o tapete, voltou-se, de chapéu branco na mão, sorrindo, pedindo perdão de estar assim a pasmar familiarmente para aquele soberbo Constable... Com um gesto rígido, Carlos, muito pálido, indicou-lhe o sofá. Saudando e risonho Castro Gomes sentou-se vagarosamente. No peito da sobrecasaca muito justa trazia um botão de rosas, os seus sapatos de verniz resplandeciam sob as polainas de linho; no rosto chupado, queimado, a barba negra, terminava em bico; os cabelos rareavam-lhe na risca; e mesmo a sorrir tinha um ar de secura, de fadiga.
- Eu possuo também em Paris um Constable muito chic, disse ele, sem embaraço, num tom arrastado, cheio de rr, que o sotaque brasileiro adocicava. Mas é apenas uma pequena paisagem, com duas figurinhas. É um pintor que não me diverte, a dizer a verdade... Todavia da muito tom a uma galeria. É necessário te-lo.
Carlos, defronte numa cadeira, com os punhos fortemente fechados sobre os joelhos, conservava a imobilidade dum mármore. E, perante aquele modo afável, uma ideia ia-o atravessando, lacerante, angustiosa, pondo-lhe já nos olhos largos que não tirava de sobre o outro, uma irreprimivel chama de cólera. Carlos Gomes decerto não sabia nada! chegara, desembarcara, correra aos Olivais, dormira nos Olivais! Era o marido, era novo, tivera-a já nos braços - a ela! E agora ali estava, tranquilo, de flor ao peito, falando de Constable! O único desejo de Carlos, nesse instante, era que aquele homem o insultasse.
No entanto Castro Gomes, amavelmente, desculpava-se de se apresentar assim, sem o conhecer, sem ao menos ter pedido por um bilhete uma entrevista...
- O motivo porém que me traz é tão urgente, que cheguei esta manhã ás dez horas do Rio de Janeiro, ou antes do Lazareto, e estou aqui!... E esta mesma noite, se puder, parto para Madrid.
Fez-se um alívio infinito no coração de Carlos. Ainda não vira então Maria Eduarda, aqueles secos lábios não a tinham tocado! E saiu enfim da sua rigidez de mármore, teve um movimento atento, aproximando de leve a cadeira.
Castro Gomes no entanto, tendo pousado o chapéu, tirara do bolso interior da sobrecasaca uma carteira com um largo monograma de ouro; e, vagaroso, procurava entre os papéis uma carta... Depois, com ela na mão, muito tranquilamente:
- Eu recebi no Rio de Janeiro, antes de partir, este escrito anónimo... Mas não creia V. Exc.ª que foi ele que me levou a atravessar à pressa o Atlântico. Seria o maior dos ridículos... E desejo também afirmar-lhe que todo o conteúdo dele me deixou perfeitamente indiferente... Aqui o tem. Quer V. Exc.ª lê-lo, ou quer que eu leia?
Carlos murmurou com um esforço:
- Leia V. Exc.ª
Castro Gomes desdobrou o papel, e revirou-o um instante entre os dedos.
- Como V. Exc.ª vê, é a carta anónima em todo o seu horror: papel de mercearia, pautadinho de azul; caligrafia reles; tinta reles; cheiro reles. Um documento odioso. E aqui está como ele se exprime: «Um homem «que teve a honra de apertar a mão de V. Exc.ª» Eu dispensava a honra... «que teve a hora de apertar a mão de V. Exc.ª e de apreciar o seu «cavalheirismo, julga dever preveni-lo que sua mulher é, à vista de toda a «Lisboa, a amante dum rapaz muito conhecido aqui, Carlos Eduardo da «Maia, que vive numa casa ás Janelas Verdes, chamada o Ramalhete. Este «herói, que é muito rico, comprou expressamente uma quinta nos Olivais, «onde instalou a mulher de V. Exc.ª e onde a vai ver todos os dias, ficando «ás vezes, com escândalo da vizinhança, até de madrugada. Assim o nome «honrado de V. Exc.ª anda pelas lamas da capital.» É tudo o que diz a carta; e eu só devo acrescentar, porque o sei, que tudo quanto ela diz é incontestavelmente exacto... O Sr. Carlos da Maia é pois publicamente, com conhecimento de toda a Lisboa, o amante dessa senhora.
Carlos ergueu-se, muito sereno. E abrindo de leve os braços, numa aceitação inteira de todas as responsabilidades:
- Não tenho então nada a dizer a V. Exc.ª senão que estou ás suas ordens!...
Uma fugitiva onda de sangue avivou a palidez morena de Castro Gomes. Dobrou a carta, guardou-a com todo o vagar na carteira. Depois, sorrindo friamente:
- Perdão... O Sr. Carlos da Maia sabe, tão bem como eu, que se isto tivesse de ter uma solução, violenta, eu não viria aqui pessoalmente, a sua casa, ler-lhe este papel... A coisa é inteiramente outra.
Carlos recaíra na cadeira, assombrado. E agora a lentidão adocicada daquela voz ia-se-lhe tornando intolerável. Um confuso terror do que viria desses lábios, que sorriam com uma palidez impertinente, quasi fazia estalar o seu pobre coração. E era um desejo brutal de lhe gritar que acabasse, que o matasse, ou que saísse daquela sala, onde a sua presença era uma inutilidade ou uma torpeza!...
O outro passou os dedos no bigode, e prosseguiu, devagar, arranjando as suas palavras com cuidado e com precisão:
- O meu caso é este, Sr. Carlos da Maia. Há pessoas em Lisboa que me não conhecem decerto, mas que sabem a esta hora que existe algures, em Paris, no Brasil ou no inferno, um certo Castro Gomes, que tem uma mulher bonita, e que a mulher desse Castro Gomes tem em Lisboa um amante. Isto é desagradável, sobretudo por ser falso. E V. Exc.ª compreende que eu não devo continuar a arrastar por mais tempo a fama de marido infeliz, visto que a não mereço, e que a não posso legalmente ter... É por isso que aqui venho, muito francamente, de gentleman para gentleman, dizer-lhe, como tenho intenção de dizer a outros, que aquela senhora não é minha mulher.
Durante um momento Castro Gomes esperou a voz de Carlos da Maia. Mas ele conservava uma face muda, impenetrável, onde apenas os olhos brilhavam angustiosamente na lívidez que a cobrira. Por fim, com um esforço, baixou de leve a cabeça, como acolhendo placidamente aquela revelação, que tornava outra qualquer palavra entre eles desnecessária e vã.
Mas Castro Gomes encolhera de leve os ombros, com uma lânguida resignação, como quem atribue tudo à malícia dos Destinos.
- São as ridículas cenas da vida... O Sr. Carlos da Maia está daí a ver as coisas. É a velha, a clássica história... Há três anos que eu vivo com essa senhora; quando tive o inverno passado de ir ao Brasil, trouxe-a a Lisboa para não vir sozinho. Fomos para o hotel Central. V. Exc.ª compreende perfeitamente que eu não fui fazer confidências ao gerente do estabelecimento. Aquela senhora vinha comigo, dormia comigo, portanto, para todos os efeitos do hotel, era minha mulher. Como mulher de Castro Gomes ficou no Central; como mulher de Castro Gomes alugou depois uma casa na rua de S. Francisco; como mulher de Castro Gomes tomou enfim um amante... Deu-se sempre como mulher de Castro Gomes, mesmo nas circunstâncias mais particularmente desagradáveis para Castro Gomes... E, meu Deus! não podemos realmente condena-la muito... Achava-se por acaso revestida duma excelente posição social e dum nome puro, seria mais que humano que o seu amor da verdade a levasse, apenas conhecia alguém, a declarar que posição e nome eram de empréstimo e ela era apenas «Fulana de tal, amigada...» De resto, sejamos justos, ela não era moralmente obrigada a dar semelhantes explicações ao tendeiro que lhe vendia a manteiga, ou à matrona que lhe alugava a casa: nem mesmo, penso eu, a ninguém, a não ser a um pai que lhe quisesse apresentar sua filha, saída do convento... Demais a mais sou eu que tenho um pouco a culpa; muitas vezes, em coisas relativamente delicadas lhe deixei usar o meu nome. Foi, por exemplo, com o nome de Castro Gomes que ela tomou a governante inglesa. As inglesas são tão exigentes!... Aquela, sobretudo, uma rapariga tão séria... Enfim tudo isso passou... O que importa agora é que eu lhe retiro solenemente o nome que lhe emprestara; e ela fica apenas com o seu, que é Madame Mac-Gren.
Carlos ergueu-se, lívido. E com as mãos fincadas nas costas da cadeira tão fortemente, que quasi lhe esgaçava o estofo:
- Mais nada, creio eu?
Castro Gomes mordeu de leve os beiços perante este remate brutal que o despediu.
- Mais nada, disse ele tomando o chapéu e levantando-se muito vagarosamente. Devo apenas acrescentar, para evitar a V. Exc.ª suspeitas injustas, que aquela senhora não é uma menina que eu tivesse seduzido, e a quem recuse uma reparação. A pequerruchinha que ali anda não é minha filha... Eu conheço a mãe somente há três anos... Vinha dos braços dum qualquer, passou para os meus... Posso pois dizer, sem injuria, que era uma mulher que eu pagava.
No salão nobre, forrado de brocados cor de musgo de outono, Castro Gomes examinava curiosamente, com um joelho apoiado à borda do sofá, a esplêndida tela de Constable, o retrato da condessa de Runa, bela e forte no seu vestido de veludo escarlate de caçadora inglesa. Ao rumor dos passos de Carlos sobre o tapete, voltou-se, de chapéu branco na mão, sorrindo, pedindo perdão de estar assim a pasmar familiarmente para aquele soberbo Constable... Com um gesto rígido, Carlos, muito pálido, indicou-lhe o sofá. Saudando e risonho Castro Gomes sentou-se vagarosamente. No peito da sobrecasaca muito justa trazia um botão de rosas, os seus sapatos de verniz resplandeciam sob as polainas de linho; no rosto chupado, queimado, a barba negra, terminava em bico; os cabelos rareavam-lhe na risca; e mesmo a sorrir tinha um ar de secura, de fadiga.
- Eu possuo também em Paris um Constable muito chic, disse ele, sem embaraço, num tom arrastado, cheio de rr, que o sotaque brasileiro adocicava. Mas é apenas uma pequena paisagem, com duas figurinhas. É um pintor que não me diverte, a dizer a verdade... Todavia da muito tom a uma galeria. É necessário te-lo.
Carlos, defronte numa cadeira, com os punhos fortemente fechados sobre os joelhos, conservava a imobilidade dum mármore. E, perante aquele modo afável, uma ideia ia-o atravessando, lacerante, angustiosa, pondo-lhe já nos olhos largos que não tirava de sobre o outro, uma irreprimivel chama de cólera. Carlos Gomes decerto não sabia nada! chegara, desembarcara, correra aos Olivais, dormira nos Olivais! Era o marido, era novo, tivera-a já nos braços - a ela! E agora ali estava, tranquilo, de flor ao peito, falando de Constable! O único desejo de Carlos, nesse instante, era que aquele homem o insultasse.
No entanto Castro Gomes, amavelmente, desculpava-se de se apresentar assim, sem o conhecer, sem ao menos ter pedido por um bilhete uma entrevista...
- O motivo porém que me traz é tão urgente, que cheguei esta manhã ás dez horas do Rio de Janeiro, ou antes do Lazareto, e estou aqui!... E esta mesma noite, se puder, parto para Madrid.
Fez-se um alívio infinito no coração de Carlos. Ainda não vira então Maria Eduarda, aqueles secos lábios não a tinham tocado! E saiu enfim da sua rigidez de mármore, teve um movimento atento, aproximando de leve a cadeira.
Castro Gomes no entanto, tendo pousado o chapéu, tirara do bolso interior da sobrecasaca uma carteira com um largo monograma de ouro; e, vagaroso, procurava entre os papéis uma carta... Depois, com ela na mão, muito tranquilamente:
- Eu recebi no Rio de Janeiro, antes de partir, este escrito anónimo... Mas não creia V. Exc.ª que foi ele que me levou a atravessar à pressa o Atlântico. Seria o maior dos ridículos... E desejo também afirmar-lhe que todo o conteúdo dele me deixou perfeitamente indiferente... Aqui o tem. Quer V. Exc.ª lê-lo, ou quer que eu leia?
Carlos murmurou com um esforço:
- Leia V. Exc.ª
Castro Gomes desdobrou o papel, e revirou-o um instante entre os dedos.
- Como V. Exc.ª vê, é a carta anónima em todo o seu horror: papel de mercearia, pautadinho de azul; caligrafia reles; tinta reles; cheiro reles. Um documento odioso. E aqui está como ele se exprime: «Um homem «que teve a honra de apertar a mão de V. Exc.ª» Eu dispensava a honra... «que teve a hora de apertar a mão de V. Exc.ª e de apreciar o seu «cavalheirismo, julga dever preveni-lo que sua mulher é, à vista de toda a «Lisboa, a amante dum rapaz muito conhecido aqui, Carlos Eduardo da «Maia, que vive numa casa ás Janelas Verdes, chamada o Ramalhete. Este «herói, que é muito rico, comprou expressamente uma quinta nos Olivais, «onde instalou a mulher de V. Exc.ª e onde a vai ver todos os dias, ficando «ás vezes, com escândalo da vizinhança, até de madrugada. Assim o nome «honrado de V. Exc.ª anda pelas lamas da capital.» É tudo o que diz a carta; e eu só devo acrescentar, porque o sei, que tudo quanto ela diz é incontestavelmente exacto... O Sr. Carlos da Maia é pois publicamente, com conhecimento de toda a Lisboa, o amante dessa senhora.
Carlos ergueu-se, muito sereno. E abrindo de leve os braços, numa aceitação inteira de todas as responsabilidades:
- Não tenho então nada a dizer a V. Exc.ª senão que estou ás suas ordens!...
Uma fugitiva onda de sangue avivou a palidez morena de Castro Gomes. Dobrou a carta, guardou-a com todo o vagar na carteira. Depois, sorrindo friamente:
- Perdão... O Sr. Carlos da Maia sabe, tão bem como eu, que se isto tivesse de ter uma solução, violenta, eu não viria aqui pessoalmente, a sua casa, ler-lhe este papel... A coisa é inteiramente outra.
Carlos recaíra na cadeira, assombrado. E agora a lentidão adocicada daquela voz ia-se-lhe tornando intolerável. Um confuso terror do que viria desses lábios, que sorriam com uma palidez impertinente, quasi fazia estalar o seu pobre coração. E era um desejo brutal de lhe gritar que acabasse, que o matasse, ou que saísse daquela sala, onde a sua presença era uma inutilidade ou uma torpeza!...
O outro passou os dedos no bigode, e prosseguiu, devagar, arranjando as suas palavras com cuidado e com precisão:
- O meu caso é este, Sr. Carlos da Maia. Há pessoas em Lisboa que me não conhecem decerto, mas que sabem a esta hora que existe algures, em Paris, no Brasil ou no inferno, um certo Castro Gomes, que tem uma mulher bonita, e que a mulher desse Castro Gomes tem em Lisboa um amante. Isto é desagradável, sobretudo por ser falso. E V. Exc.ª compreende que eu não devo continuar a arrastar por mais tempo a fama de marido infeliz, visto que a não mereço, e que a não posso legalmente ter... É por isso que aqui venho, muito francamente, de gentleman para gentleman, dizer-lhe, como tenho intenção de dizer a outros, que aquela senhora não é minha mulher.
Durante um momento Castro Gomes esperou a voz de Carlos da Maia. Mas ele conservava uma face muda, impenetrável, onde apenas os olhos brilhavam angustiosamente na lívidez que a cobrira. Por fim, com um esforço, baixou de leve a cabeça, como acolhendo placidamente aquela revelação, que tornava outra qualquer palavra entre eles desnecessária e vã.
Mas Castro Gomes encolhera de leve os ombros, com uma lânguida resignação, como quem atribue tudo à malícia dos Destinos.
- São as ridículas cenas da vida... O Sr. Carlos da Maia está daí a ver as coisas. É a velha, a clássica história... Há três anos que eu vivo com essa senhora; quando tive o inverno passado de ir ao Brasil, trouxe-a a Lisboa para não vir sozinho. Fomos para o hotel Central. V. Exc.ª compreende perfeitamente que eu não fui fazer confidências ao gerente do estabelecimento. Aquela senhora vinha comigo, dormia comigo, portanto, para todos os efeitos do hotel, era minha mulher. Como mulher de Castro Gomes ficou no Central; como mulher de Castro Gomes alugou depois uma casa na rua de S. Francisco; como mulher de Castro Gomes tomou enfim um amante... Deu-se sempre como mulher de Castro Gomes, mesmo nas circunstâncias mais particularmente desagradáveis para Castro Gomes... E, meu Deus! não podemos realmente condena-la muito... Achava-se por acaso revestida duma excelente posição social e dum nome puro, seria mais que humano que o seu amor da verdade a levasse, apenas conhecia alguém, a declarar que posição e nome eram de empréstimo e ela era apenas «Fulana de tal, amigada...» De resto, sejamos justos, ela não era moralmente obrigada a dar semelhantes explicações ao tendeiro que lhe vendia a manteiga, ou à matrona que lhe alugava a casa: nem mesmo, penso eu, a ninguém, a não ser a um pai que lhe quisesse apresentar sua filha, saída do convento... Demais a mais sou eu que tenho um pouco a culpa; muitas vezes, em coisas relativamente delicadas lhe deixei usar o meu nome. Foi, por exemplo, com o nome de Castro Gomes que ela tomou a governante inglesa. As inglesas são tão exigentes!... Aquela, sobretudo, uma rapariga tão séria... Enfim tudo isso passou... O que importa agora é que eu lhe retiro solenemente o nome que lhe emprestara; e ela fica apenas com o seu, que é Madame Mac-Gren.
Carlos ergueu-se, lívido. E com as mãos fincadas nas costas da cadeira tão fortemente, que quasi lhe esgaçava o estofo:
- Mais nada, creio eu?
Castro Gomes mordeu de leve os beiços perante este remate brutal que o despediu.
- Mais nada, disse ele tomando o chapéu e levantando-se muito vagarosamente. Devo apenas acrescentar, para evitar a V. Exc.ª suspeitas injustas, que aquela senhora não é uma menina que eu tivesse seduzido, e a quem recuse uma reparação. A pequerruchinha que ali anda não é minha filha... Eu conheço a mãe somente há três anos... Vinha dos braços dum qualquer, passou para os meus... Posso pois dizer, sem injuria, que era uma mulher que eu pagava.
continuação dos males de amor....
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
A quem sabe o que lhe vai na alma
Vinha elegante, depressa,
Sem pressa e com um sorriso.
E eu, que sinto co a cabeça,
Fiz logo o poema preciso.
No poema não falo dela
Nem como, adulta menina,
Virava a esquina daquela
Rua que é a eterna esquina...
No poema falo do mar,
Descrevo a onda e a mágoa.
Relê-lo faz-me lembrar
Da esquina dura - ou da água.
Vinha elegante, depressa, (14-8-1932)
Sem pressa e com um sorriso.
E eu, que sinto co a cabeça,
Fiz logo o poema preciso.
No poema não falo dela
Nem como, adulta menina,
Virava a esquina daquela
Rua que é a eterna esquina...
No poema falo do mar,
Descrevo a onda e a mágoa.
Relê-lo faz-me lembrar
Da esquina dura - ou da água.
Vinha elegante, depressa, (14-8-1932)
sexta-feira, 2 de junho de 2006
A volta do Sousa
Se há coisa que nunca percebi é a bondade intrínseca que há nas religiões.
È certo que sou mais ou menos ateu, graças a Deus – muitas, com Deus poucas - , e que a questão religiosa nunca me tocou muito.
Baptizado ainda sem consciência, não fiz a comunhão ou o Crisma.
Dava um post engraçado saber porque não. A seu tempo.
Da parte mais ou menos cripto-judaica da minha família pouco conhecimento tenho.
Eu estou fartíssimo de saber que o senso comum é o maior inimigo da ciência.
Quantas vezes ele nos engana.
Temos Kant, e outros pândegos para nos orientarem. Até temos os mestres da suspeita, como o próprio nome indica , a suspeitarem de tudo.
Agora, como no sexo e a cidade, pergunto a mim mesmo:
A religiosidade, seja isso o que for, melhora o comportamento das pessoas ?
Ser religioso torna uma pessoa melhor ?
Em próximos posts espero discutir isto
A ausência do Sousa deve-se a razões pessoais….
Ahhhh a Lancia faz carros muito bons…..
A sério vejam…: http://www.lanciathesis.com/eng/home.html
O Sousa
È certo que sou mais ou menos ateu, graças a Deus – muitas, com Deus poucas - , e que a questão religiosa nunca me tocou muito.
Baptizado ainda sem consciência, não fiz a comunhão ou o Crisma.
Dava um post engraçado saber porque não. A seu tempo.
Da parte mais ou menos cripto-judaica da minha família pouco conhecimento tenho.
Eu estou fartíssimo de saber que o senso comum é o maior inimigo da ciência.
Quantas vezes ele nos engana.
Temos Kant, e outros pândegos para nos orientarem. Até temos os mestres da suspeita, como o próprio nome indica , a suspeitarem de tudo.
Agora, como no sexo e a cidade, pergunto a mim mesmo:
A religiosidade, seja isso o que for, melhora o comportamento das pessoas ?
Ser religioso torna uma pessoa melhor ?
Em próximos posts espero discutir isto
A ausência do Sousa deve-se a razões pessoais….
Ahhhh a Lancia faz carros muito bons…..
A sério vejam…: http://www.lanciathesis.com/eng/home.html
O Sousa
sábado, 6 de maio de 2006
O inicio do Memorial do Convento em Castelhano
Don Juan, quinto de este nombre en el orden real, irá esta noche al
dormitorio de su mujer, Doña María Ana Josefa, llegada hace más de
dos años desde Austria para dar infantes a la corona portuguesa y
que aún hoy no ha quedado preñada. Ya se murmura en la corte,
dentro y fuera de palacio, que es probable que la reina sea
machorra, insinuación muy resguardada de orejas y bocas delatoras
y que sólo entre íntimos se confía. Ni se piensa que la culpa sea del
rey, primero porque la esterilidad no es mal de hombres, de mujeres
sí, por eso son repudiadas tantas veces, y segundo, y prueba
material por si preciso fuere, que abundan en el reino los bastardos
de real simiente y siguen aumentando. Además, quien se extenúa
implorando al cielo un hijo no es el rey, sino la reina, y también por
dos razones. La primera es que un rey, y aún más si lo es de
Portugal, no pide lo que sólo en su poder está dar, la segunda razón
porque siendo la mujer, naturalmente, vaso de recibir, ha de ser
naturalmente suplicante, tanto en novenas organizadas como en
oraciones ocasionales. Pero ni la pertinacia del rey, que, salvo
dificultad canónica o impedimento fisiológico, dos veces por semana
cumple vigorosamente su débito real y conyugal, ni la paciencia y
humildad de la reina, que, oraciones aparte, se sacrifica a una
inmovilidad total después de que su esposo se retira de ella y de la
cama, para que no se perturben en su acomodo generativo los
líquidos comunes, escasos los suyos por falta de estímulo y de
tiempo, y cristianísima retención moral, pródigos los del soberano,
como se espera de un hombre que aún no ha cumplido veintidós
2
años, ni esto ni aquello hincharon hasta hoy el vientre de Doña María
Ana. Pero Dios es grande.
dormitorio de su mujer, Doña María Ana Josefa, llegada hace más de
dos años desde Austria para dar infantes a la corona portuguesa y
que aún hoy no ha quedado preñada. Ya se murmura en la corte,
dentro y fuera de palacio, que es probable que la reina sea
machorra, insinuación muy resguardada de orejas y bocas delatoras
y que sólo entre íntimos se confía. Ni se piensa que la culpa sea del
rey, primero porque la esterilidad no es mal de hombres, de mujeres
sí, por eso son repudiadas tantas veces, y segundo, y prueba
material por si preciso fuere, que abundan en el reino los bastardos
de real simiente y siguen aumentando. Además, quien se extenúa
implorando al cielo un hijo no es el rey, sino la reina, y también por
dos razones. La primera es que un rey, y aún más si lo es de
Portugal, no pide lo que sólo en su poder está dar, la segunda razón
porque siendo la mujer, naturalmente, vaso de recibir, ha de ser
naturalmente suplicante, tanto en novenas organizadas como en
oraciones ocasionales. Pero ni la pertinacia del rey, que, salvo
dificultad canónica o impedimento fisiológico, dos veces por semana
cumple vigorosamente su débito real y conyugal, ni la paciencia y
humildad de la reina, que, oraciones aparte, se sacrifica a una
inmovilidad total después de que su esposo se retira de ella y de la
cama, para que no se perturben en su acomodo generativo los
líquidos comunes, escasos los suyos por falta de estímulo y de
tiempo, y cristianísima retención moral, pródigos los del soberano,
como se espera de un hombre que aún no ha cumplido veintidós
2
años, ni esto ni aquello hincharon hasta hoy el vientre de Doña María
Ana. Pero Dios es grande.
Apeteceu-me
VARIEDADES DEL BESO
No hay un orden establecido para los besos, arañazos y mordiscos, ya que se dan en momentos de excitación. Se recurre a los mismos, generalmente, antes de la unión, mientras a los golpes y gemidos durante el desarrollo de la misma. Vatsyayana sostiene, por el contrario, que todo se puede hacer en cualquier momento, ya que la pasión no conoce deferencias. Durante la primera unión conviene valerse de los mismos, con una mujer que ya sienta confianza, no demasiado abiertamente y en forma alternativa;en las siguientes, se practiquen con mucho ardor y en grupos particulares, para inflamar el deseo.
Se besa la frente, la cabellera, las mejillas, los ojos, el pecho, los senos, los labios y la boca; en Lata también la ingle, los sobacos y la zona por debajo del ombligo. A causa de la excitación, y por las costumbres locales, hay muchos otros sitios, pero no todas las personas tienen que recurrir a los mismos; es la opinión de Vatsyuyana.
Los besos de la doncella son tres: comedido, palpitante, que toca. Si ésta, casi obligada, posa su boca en la boca del otro, pero sin hacer ningún movimiento, se tiene el beso "comedido". Cuando, todavía un poco avergonzada, desea coger el labio inferior del amante, que éste ha insinuado en su boca, y hace vibrar su labio inferior, pero no lo consigue, es el beso "palpitante". Si apenas aprieta, con los ojos cerrados y tapando con las manos los ojos del enamorado, y lo toca con la punta de la lengua, es el beso "que toca".
Kamasutra
Vatsyayana
No hay un orden establecido para los besos, arañazos y mordiscos, ya que se dan en momentos de excitación. Se recurre a los mismos, generalmente, antes de la unión, mientras a los golpes y gemidos durante el desarrollo de la misma. Vatsyayana sostiene, por el contrario, que todo se puede hacer en cualquier momento, ya que la pasión no conoce deferencias. Durante la primera unión conviene valerse de los mismos, con una mujer que ya sienta confianza, no demasiado abiertamente y en forma alternativa;en las siguientes, se practiquen con mucho ardor y en grupos particulares, para inflamar el deseo.
Se besa la frente, la cabellera, las mejillas, los ojos, el pecho, los senos, los labios y la boca; en Lata también la ingle, los sobacos y la zona por debajo del ombligo. A causa de la excitación, y por las costumbres locales, hay muchos otros sitios, pero no todas las personas tienen que recurrir a los mismos; es la opinión de Vatsyuyana.
Los besos de la doncella son tres: comedido, palpitante, que toca. Si ésta, casi obligada, posa su boca en la boca del otro, pero sin hacer ningún movimiento, se tiene el beso "comedido". Cuando, todavía un poco avergonzada, desea coger el labio inferior del amante, que éste ha insinuado en su boca, y hace vibrar su labio inferior, pero no lo consigue, es el beso "palpitante". Si apenas aprieta, con los ojos cerrados y tapando con las manos los ojos del enamorado, y lo toca con la punta de la lengua, es el beso "que toca".
Kamasutra
Vatsyayana
Ao sousita hoje deu-lhe para a poesia
EL JARDÍN
El jardin
Que hay en tus ojos
Tiene el color
De las tardes
Porque también
De fulgor...
La manera
Cómo besas
El tiempo
Tiene, aparte
Del Amor, el Sonido
De la leyenda
Imperceptible.
La forma misma
Con que la brisa
Te imita
Tiene la semejanza
Del recuerdo
O de la playa
Porque también
De fulgor
Y de playa
Y de jardín
Así el día oscurece
Tras tus ojos
LUIS GUILLERMO HERNANDEZ CAMARERO
Lima, 1941 – Buenos Aires, 1977
El jardin
Que hay en tus ojos
Tiene el color
De las tardes
Porque también
De fulgor...
La manera
Cómo besas
El tiempo
Tiene, aparte
Del Amor, el Sonido
De la leyenda
Imperceptible.
La forma misma
Con que la brisa
Te imita
Tiene la semejanza
Del recuerdo
O de la playa
Porque también
De fulgor
Y de playa
Y de jardín
Así el día oscurece
Tras tus ojos
LUIS GUILLERMO HERNANDEZ CAMARERO
Lima, 1941 – Buenos Aires, 1977
depois de ter visto o Padrinho III no axn
[About the unrest in Cuba.]
Michael Corleone: I saw a strange thing today. Some rebels were being arrested. One of them pulled the pin on a grenade. He took himself and the captain of the command with him. Now, soldiers are paid to fight; the rebels aren't.
Hyman Roth: What does that tell you?
Michael Corleone: It means they could win.
Michael Corleone: I saw a strange thing today. Some rebels were being arrested. One of them pulled the pin on a grenade. He took himself and the captain of the command with him. Now, soldiers are paid to fight; the rebels aren't.
Hyman Roth: What does that tell you?
Michael Corleone: It means they could win.
terça-feira, 2 de maio de 2006
Há uma questão religiosa que realmente me transcende. É a questão da constante tentativa de submissão da sociedade não religiosa aos parâmetros da crença particular dum grupo.
As nossas religiões: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo são reveladas. A Divindade, que desde o Velho Testamento anda arredada de contactos directos com humanos, revela-Se através de pessoas escolhidas : os profetas, Jesus, Maomé e os Apostólos.
Estes vertem em vulgar o pensamento Divino.
O ultimo encontro que me ocorre cara e cara e sem ambiguidade de mensagem está no Velho Testamento no êxodo:
Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os [mandamentos] que tenho escrito, para lhos ensinares.
Ou seja Deus escreveu pelo próprio punho os Mandamentos e entregou-os pessoalmente a Moisés.
A coisa era simples e sem muita margem para interpretações:
ÊXODO [35]
1 Então Moisés convocou toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Senhor ordenou que cumprísseis.
2 Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, sábado de descanso solene ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho será morto.
3 Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado.
E por aí fora preto no branco.
A partir dessa remota época as coisas complicam-se. As Divindades inspiram um mortal que vai vertendo em letra de forma a vontade e os ensinamentos da Divindade.
Claro que o vulgar mortal não consegue interpretar sem a ajuda textos como a parábola do trabalhador da undécima hora.
MATEUS [20]
1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha.
2 Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha.
3 Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça,
4 e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.
6 Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?
7 Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele: Ide também vós para a vinha.
8 Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.
9 Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.
10 Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.
11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:
12 Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.
15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.
O pobre mortal tem dificuldade em interpretar estas partes mais obscuras e aí surgem as religiões organizadas.
Da interpretação dos textos bíblicos concluíram os Mormons que um homem pode ter até quatro mulheres, os católicos que apenas uma e sem direito a divórcio, os anglicanos apostam na mulher única mas com direito a divórcio. A doutrina Islâmica também se divide entre a monogamia e a poligamia.
Outras restrições que não só sexuais são também interpretadas de maneira diferente. Se um Muçulmano, dependendo da interpretação, pode ter mais que uma esposa o vinho e a carne de porco são-lhe vedadas sempre. Uma católica romana não pode ser padre ou bispo ao contrário de algumas confissões luteranas. O Rabi tem de ser obrigatoriamente casado enquanto o padre católico não pode casar nem ir casando.
É claríssimo para as testemunhas de Jeová que as transfusões de sangue estão proibidas pelo texto sagrado.
De tudo isto se podem concluir que havendo vários textos e com variadas interpretações dos mesmos só pode existir uma interpretação e uma revelação correcta. Todas as outras levarão, mesmo que seguidas ao mais ínfimo pormenor, invariavelmente ao inferno.
Assim como crentes duma dada fé temos de acreditar ser esta a correcta e torcer os dedos para que seja.
Conformamo-nos com a interpretação que é infalível do Papa para os Católicos, do Parlamento Inglês para os Anglicanos, os Ayatolas para os sunitas, salvo erro. Se não são Sunitas são Xiitas.
Fora do universo dos crentes duma dada religião, abandonada a hipótese de os converter, o comportamento que tem é mais ou menos irrelevante. Se a verdadeira revelação não é a católica romana pouco importa que o padre se abstenha ou não de comércio sexual com as suas paroquianas ou paroquianos, consoante os gostos de ambos, que acabará inevitavelmente no inferno de Alla, de Buda ou mesmo de alguma esquecida e ignorada religião africana a ser essa a verdadeira.
Se a verdadeira revelação e interpretação é a católica romana podem os muçulmanos comer todo os porcos, absterem-se ou não de sexo que o inferno católico espera-os inexoravelmente e, quem sabe, com requintes de crueldade por causa das cruzadas.
Assim faz pouco sentido que uma religião se pronuncie sobre o que os não crentes, logo condenados, fazem ou não fazem das suas pessoas e vidas.
Do ponto de vista católico romano é pouco importante que um não católico não cumpra as normas. Seria até de alguma caridade cristã explicar-lhe que já que não pode salvar a alma que trate pelo menos de se divertir, cuidando do corpo, que quanto a vida eterna estamos conversados. Não nos chateies é a nós e quanto a ti faz o que te aprouver.
O mesmo se poderia aplicar a qualquer religião.
No entanto na prática as religiões pretendem modelar o comportamento mesmo dos não crentes pelas suas normas. O mundo Islâmico fica indignado pelas caricaturas de Maomé e a Igreja católica tenta sempre opor-se ao divórcio, contracepção e casamentos do mesmo sexo na sociedade civil.
Que diferença lhes faz que um não crente veja as caricaturas de Maomé? Condenado já está, mais caricatura menos caricatura… O mesmo se aplica ao pensamento católico.
Que os crentes não façam transfusões, não levem no cu, sejam castos, não comam porco ou respeitem a sexta-feira como dia sagrado faz sentido. Estão a trabalhar para a salvação eterna, salvo claro se se enganaram na fé.
Agora para quê tentar impor estas regras aos não crentes?
Parece-me pura malvadez e inutilidade
As nossas religiões: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo são reveladas. A Divindade, que desde o Velho Testamento anda arredada de contactos directos com humanos, revela-Se através de pessoas escolhidas : os profetas, Jesus, Maomé e os Apostólos.
Estes vertem em vulgar o pensamento Divino.
O ultimo encontro que me ocorre cara e cara e sem ambiguidade de mensagem está no Velho Testamento no êxodo:
Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os [mandamentos] que tenho escrito, para lhos ensinares.
Ou seja Deus escreveu pelo próprio punho os Mandamentos e entregou-os pessoalmente a Moisés.
A coisa era simples e sem muita margem para interpretações:
ÊXODO [35]
1 Então Moisés convocou toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: Estas são as palavras que o Senhor ordenou que cumprísseis.
2 Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, sábado de descanso solene ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho será morto.
3 Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado.
E por aí fora preto no branco.
A partir dessa remota época as coisas complicam-se. As Divindades inspiram um mortal que vai vertendo em letra de forma a vontade e os ensinamentos da Divindade.
Claro que o vulgar mortal não consegue interpretar sem a ajuda textos como a parábola do trabalhador da undécima hora.
MATEUS [20]
1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha.
2 Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha.
3 Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça,
4 e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.
6 Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?
7 Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele: Ide também vós para a vinha.
8 Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.
9 Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.
10 Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.
11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:
12 Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.
15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.
O pobre mortal tem dificuldade em interpretar estas partes mais obscuras e aí surgem as religiões organizadas.
Da interpretação dos textos bíblicos concluíram os Mormons que um homem pode ter até quatro mulheres, os católicos que apenas uma e sem direito a divórcio, os anglicanos apostam na mulher única mas com direito a divórcio. A doutrina Islâmica também se divide entre a monogamia e a poligamia.
Outras restrições que não só sexuais são também interpretadas de maneira diferente. Se um Muçulmano, dependendo da interpretação, pode ter mais que uma esposa o vinho e a carne de porco são-lhe vedadas sempre. Uma católica romana não pode ser padre ou bispo ao contrário de algumas confissões luteranas. O Rabi tem de ser obrigatoriamente casado enquanto o padre católico não pode casar nem ir casando.
É claríssimo para as testemunhas de Jeová que as transfusões de sangue estão proibidas pelo texto sagrado.
De tudo isto se podem concluir que havendo vários textos e com variadas interpretações dos mesmos só pode existir uma interpretação e uma revelação correcta. Todas as outras levarão, mesmo que seguidas ao mais ínfimo pormenor, invariavelmente ao inferno.
Assim como crentes duma dada fé temos de acreditar ser esta a correcta e torcer os dedos para que seja.
Conformamo-nos com a interpretação que é infalível do Papa para os Católicos, do Parlamento Inglês para os Anglicanos, os Ayatolas para os sunitas, salvo erro. Se não são Sunitas são Xiitas.
Fora do universo dos crentes duma dada religião, abandonada a hipótese de os converter, o comportamento que tem é mais ou menos irrelevante. Se a verdadeira revelação não é a católica romana pouco importa que o padre se abstenha ou não de comércio sexual com as suas paroquianas ou paroquianos, consoante os gostos de ambos, que acabará inevitavelmente no inferno de Alla, de Buda ou mesmo de alguma esquecida e ignorada religião africana a ser essa a verdadeira.
Se a verdadeira revelação e interpretação é a católica romana podem os muçulmanos comer todo os porcos, absterem-se ou não de sexo que o inferno católico espera-os inexoravelmente e, quem sabe, com requintes de crueldade por causa das cruzadas.
Assim faz pouco sentido que uma religião se pronuncie sobre o que os não crentes, logo condenados, fazem ou não fazem das suas pessoas e vidas.
Do ponto de vista católico romano é pouco importante que um não católico não cumpra as normas. Seria até de alguma caridade cristã explicar-lhe que já que não pode salvar a alma que trate pelo menos de se divertir, cuidando do corpo, que quanto a vida eterna estamos conversados. Não nos chateies é a nós e quanto a ti faz o que te aprouver.
O mesmo se poderia aplicar a qualquer religião.
No entanto na prática as religiões pretendem modelar o comportamento mesmo dos não crentes pelas suas normas. O mundo Islâmico fica indignado pelas caricaturas de Maomé e a Igreja católica tenta sempre opor-se ao divórcio, contracepção e casamentos do mesmo sexo na sociedade civil.
Que diferença lhes faz que um não crente veja as caricaturas de Maomé? Condenado já está, mais caricatura menos caricatura… O mesmo se aplica ao pensamento católico.
Que os crentes não façam transfusões, não levem no cu, sejam castos, não comam porco ou respeitem a sexta-feira como dia sagrado faz sentido. Estão a trabalhar para a salvação eterna, salvo claro se se enganaram na fé.
Agora para quê tentar impor estas regras aos não crentes?
Parece-me pura malvadez e inutilidade
quinta-feira, 20 de abril de 2006
quarta-feira, 19 de abril de 2006
quarta-feira, 12 de abril de 2006
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