Blog dum gajo do Porto acerca de gaijas, actualidade política e sem futebol. Aqui o marmelo não gosta de futebol

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Ainda a produtividade...


EARLY MORNING BLOGS 611



There Was A Young Lady Of Portugal



There was a Young Lady of Portugal,

Whose ideas were excessively nautical:

She climbed up a tree,

To examine the sea,

But declared she would never leave Portugal.



(Edward Lear)





Copiado abominavelmente do Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/) mas não resisti.




Não digam nada ao JPP, silêncio absoluto, por favor.




Mas é tanto o espírito português, não é?




A minha atitude e o poema.

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

O Sousita está indignado!

Pouco produtivo? Mau pagador de impostos?

Se o Sousita somasse os impostos todos que já pagou: IRC, IRS, IVA, Autárquicas, Imposto automóvel, ISP, etc. e etc., já tinha a medalha a de ouro do Ministério das Finanças e o cartão Platinum. Se a isso adicionasse a habitação social involuntária – v.g. rendas condicionadas desde o tempo do Prof. Marcelo, o outro – e algumas injustiças das Finanças, mesmo subtraídas algumas fugas fiscais, sabe Deus com que esforço, tinha um saldo positivo bestial e uma reforma digna de rei.

Quanto a produtividade estamos falados.

Cada qual fala por si.

FCP

Venho eu do Dragão, a convite duma multinacional, para ver o meu FCP perder com uma equipazeca de trazer por casa... Estou desanimado... Ainda por cima mandei uns palpites cortantes a uns benfiquistas hoje de manhã. E estou a escrever isto num blog dum 'gajo do Porto que nem gosta de futebol'... Valeu o tratamento vip, a boa comida e, acima de tudo , a boa companhia! É assim a vida...

Ai, que gozo, ó Maia...

Antes de mais, amigo Maia, bemvindo ao blog doSousita. Mas diz-lá se não te dá vontade de rir ler o Sousita a escrever sobre contribuintes e produtividade!!! Eu fico que nem posso!!! Mas, amigo Maia, sê produtivo, que é disso que precisamos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

recebida por email

Num circo, decorria o número do domador de leões, quando o leão escapou da jaula e foi para cima do público. As pessoas começaram a correr de um lado para o outro, enquanto um aleijadinho, numa cadeira de rodas, se esforçava para sair dali. Alguns, ao verem o pobre deficiente, gritavam para que alguém o acudisse: - Olha o aleijado! Olha o aleijado! E o aleijado girava cada vez mais rapidamente em sua cadeira de rodas. - Olha o aleijado! Olha o aleijado! E o aleijado, sem agüentar mais grita:- Vão se foder, seus f.d.p.!! Deixa o leão escolher! Porra!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

O simples diz-que-diz-que, a mera suspeita ou uma investigação da polícia acerca dum autarca deveriam, idealmente, causar-lhe grandes incómodos e transtornos. Um boato, uma campanha caluniadora poderiam destruir uma carreira. Seria em muitos casos injustos mas deveria ser assim. Os fumos de corrupção deveriam fazer corar de indignação os eleitores e no caso dos mesmos terem fundamento levar uma multidão irada para a porta da Câmara Municipal e à demissão do autarca em questão. Depois de provada a veniaga o pobre de Cristo teria de andar meio escondido e, obviamente, nunca mais lhe valia a pena recandidatar-se. Mesmo que o fizesse teria apenas o voto da mãezinha e o próprio.

O caso é que não assim. Desde que o autarca favoreça o clube de futebol local ou distribuía electrodomésticos é perdoado. São tudo falsidades e más vontades. O que interessa é o circo do futebol que do pão trata a segurança social.

O compadrio, a corrupção, o peculato são coisas de menor ou nenhuma importância. Ora bolas se eles estão lá é para se encherem. Com mil diabos! Ninguém é de pau e até Cristo perdoo ao bom ladrão. O Tribunal quer prendê-los? Eles que fujam que vergonha é roubar e não conseguir carregar. O Presidente da Câmara usava meios da Câmara para fins particulares? Ora bolas aquilo é de todos e quem lá está safa-se. É esta a mentalidade nacional. Um vale tudo em que a honestidade não é um valor mas um defeito ou uma fraqueza.

Os heróis nacionais passaram a ser o José do Telhado, o Chico facadas e o Zé carteirista. O autarca honesto é palerma, o cidadão cumpridor é burro.
Já tivemos o Presidente da Republica a explicar que as leis não são meras orientações de comportamento. Pois é. Mas quando o não cumprimento da lei não é acompanhado duma reprovação social, sendo antes um factor de reconhecimento social algo está muito errado. Como não se podem mudar as convicções propunha eu, para acabar com a questão, que se apagasse do código penal todas sanções para o roubo, furto, vigarice, peculato, corrupção e por aí fora.

Mantinha-se apenas a pena para o homicídio e para os pedófilos pobres.

O país não melhorava mas poupava-se muito trabalho ao Tribunais.
Acerca do feliz retorno e candidatura à Câmara de Felgueiras da Dr.ª Fátima, tendo em conta a sua previsível vitória eleitoral, e não esquecendo O Dr. Isaltino, O Sr. Ferreira e o Major Valentim o Sousa da Ponte lembrou-se do Sermão do Bom Ladrão, escrito pelo Padre António Vieira. Eram terríveis esses tempos. Felizmente que agora tudo se modificou







Encomendou el-rei D. João, o Terceiro, a S. Francisco Xavier o informasse do estado da Índia, por via de seu companheiro, que era mestre do Príncipe; e o que o santo escreveu de lá, sem nomear ofícios nem pessoas, foi que o verbo rapio na Índia se conjugava por todos os modos. A frase parece jocosa em negócio tão sério, mas falou o servo de Deus como fala Deus, que em uma palavra diz tudo. Nicolau de Lira, sobre aquelas palavras de Daniel: Nabucodonosor rex misit ad congregandos satrapas, magistratus et judices(20), declarando a etimologia de sátrapas, que eram os governadores das províncias, diz que este nome foi composto de sat e de rapio: Dicuntur satrapae quasi satis rapientes, quia solent bona inferiorum rapere: Chamam-se sátrapas, porque costumam roubar assaz. E este assaz é o que especificou melhor S. Francisco Xavier, dizendo que conjugam o verbo rapio por todos os modos. O que eu posso acrescentar, pela experiência que tenho, é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também das partes daquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, porque furtam por todos os modos da arte, não falando em outros novos e esquisitos, que não conheceu Donato nem Despautério.



Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam, e, para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito, e basta só que ajuntem a sua graça, para serem quando menos meeiros na ganância. Furtam pelo modo potencial, porque, sem pretexto nem cerimônia, usam de potência. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem o fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente — que é o seu tempo — colhem quanto dá de si o triênio; e para incluírem no presente o pretérito e futuro, do pretérito desenterram crimes, de que vendem os perdões, e dívidas esquecidas, de que se pagam inteiramente, e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. Finalmente, nos mesmos tempos, não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus quam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos, e elas ficam roubadas e consumidas.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Boas novas.

Mais um murcão se juntou ao Blog. Esperemos que mais produtivo que o Ronnie que me parece que anda a tocar punhetas em vez de colocar coisas no blog,

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Uma fundamentação ideológica para a Frente Nacional.

Parece-me que a Frente Nacional não percebe nadinha de Marketing e de ideologias. Assim o Sousita faz uma modesta sugestão.

São precisos rostos: Um movimento radical que se preza tem fotografias de pessoas. O líder, o grande timoneiro ou o mártir. Exemplos a seguir. Sem esses não há seguidores. Quem segue segue alguma coisa e principalmente alguém. Vejam o exemplo da Alemanha Nazi, da Rússia de Estaline, da China de Mao ou dos fundamentalistas Islâmicos. A fotografiazinha é indispensável. È o que mobiliza. Sempre foi assim e assim será.

Ora nós estamos no século XXI será que uma fotografia chega? Não. As pessoas querem variedade. Conservadorismo com o seu quê de liberal, medicinas naturais e convencionais na mesma receita, conceitos Zen misturados com psicanálise e teoria dos sistemas. O simples não vende.

E umas fotografias chegam? Não: é preciso um slogan. Simples mas eficaz: Hasta la vitorea siempre, Deus Pátria Família, We try harder.

Assim falta à Frente Nacional um conjunto de fotografias e um slogan.

Comecemos pelas fotografias: Marquês do Pombal, Marx, Salazar, Hitler e a irmã Lúcia.

Como se trata de um grupo neo não precisa de se apoiar em todo o pensamento ou acções do personagem podendo assim retirar o que interessa, rejeitar o que não interessa e omitir o que é prejudicial. Como estamos no século XXI deve misturar-se conceitos antagónicos e sem sentido mas que caem bem. Não fica mal uma vertente científica (Marx), espiritual (Irmã Lúcia), autoritária (Hitler, Salazar e Marquês), condescendente (irmã Lúcia), racista (Hitler), tolerante (Marx) e por aí fora.

Do Marquês do Pombal apoia-se a determinação da reconstrução de Lisboa, a perseguição aos nobres que exploravam o povo, o retirar o poder à Inquisição.
Ignora-se o absolutismo e os motivos. Retira-se a execução do Távoras.
Salienta-se a determinação.
Compara-se a destruição do terramoto com a acção dos políticos.
Apela aos velhos valores portugueses.


Marx serve para não caírem na lei das organizações fascistas. Dizem-se neomarxistas também e isto deve dar uma confusão enorme. De Marx aproveita-se a luta de classes e afirma ser os representantes do povo oprimido e explorado contra os lobis, os imigrantes e cia que representam a exploração. Convêm ler Lenine para fundamentar essa parte. Dizem-se Marxistas mas anti comunistas. Também como pouca gente lê Marx isto passa bem. Negam veementemente Lenine

Salazar. Referência Nacional. O Rigor na economia é de aproveitar. O salvar o país da guerra. Omitir a guerra colonial. Chamar ao governo de Marcelo e aos militares de Abril traidores.
Apelo aos valores tradicionalistas.

Hitler. Não falar muito até porque perdeu a guerra. Os uniformes, as marchas são bons pontos. Omitir ou negar o holocausto. Não falar mesmo do final da guerra.
Apela aos racistas e aos simpatizantes do Eixo. Tem um look apelativo.

A Irmã Lúcia é um ponto forte. Dá polémica com a Igreja logo publicidade. Lembrem-se do Evangelho do Saramago. Os Portugueses são católicos e bastante crentes em Fátima. Ponto forte a conversão da Rússia. Omitir o Papa João Paulo II.
Capta bem a atenção dos crentes. Não horroriza os descrentes. Dá um ar espiritual à coisa e um rosto humano.


Postas as fotografias temos o slogan:

Autoridade (Marquês, Salazar e Hitler), Pureza (Irmã Lúcia), Determinação (Marques, Salazar e Hitler) com ciência (Marx).

Daqui pode tirar-se tudo. Contra os emigrantes rapa-se do Hitler, a favor dos pobres atiram-se o Marx e o Marquês, na candura e bondade lá vai a irmã Lúcia, na ciência lá vai Marx e por aí fora.

Os resultados seriam muito melhores.


O Sousa da ponte


O Sousita não foi ver a manifestação da Frente Nacional em Lisboa no sábado passado. Limitou-se a vê-la na Televisão.

Ao contrário da anterior, que viu ao vivo e fotografou para o Blog .
http://osousadaponte.blogspot.com/2005_06_01_osousadaponte_archive.html


Pelo que vi na SIC era um grupo de cem pessoas ou com muito boa vontade duzentos. Muitos dos que foram entrevistados tinham um ar abichanadissímo.

Na primeira manifestação o objectivo era a expulsão dos imigrantes de Portugal: Brasileiros, pretos e outros estrangeiros em geral eram os inimigos. Nesta não eram os estrangeiros mas os homossexuais e os pedófilos. Verberaram contra o casamento gay e a adopção de crianças por casais homossexuais.

Ora o que é que isto tem a ver com o Yosemite Sam ?

O nosso amigo Yosemite dispara sem cessar contra tudo e todos. Claro que durante o desenho animado o Bugs Bunny faz-lhe uma série de tropelias e acaba sempre a coisa malzota para o pobre do Yosemite.

Com a Frente Nacional parece-me que está acontecer o mesmo. Dispara contra tudo e todos e assusta a potencial clientela. É triste, para eles, mas é verdade.

A argumentação da frente Nacional, no que concerne à imigração, poderia ter uma boa e sólida base de apoio nuns pais que fosse só receptor de imigrantes. Não é o caso de Portugal. Certamente muitas pessoas, especialmente nas grandes cidades sentem-se assustadas com um fenómeno novo que é Portugal receber pessoas e não exportar mão-de-obra barata. È verdade, mas falar de expulsão de todos os imigrantes assusta. Qualquer português com quem falemos tem um familiar emigrante, já foi emigrante ou pelo menos já pensou em emigrar.

Falar-lhe em expulsões assim a cru assusta-o. Lembra-se logo da prima Alzira que tanta dificuldade teve em ficar no Canadá, no cunhado serafim que foi a salto para França, no avô Eduardo que ganhou fortuna no Brasil. O argumento é mau. Apelar a uma imigração com critério, apenas par os que vem trabalhar, dar o exemplo dos portugueses por este mundo fora, etc. e tal parecia-me mais sensato.

No que respeita à homossexualidade, casamento gay, adopção e pedofilia o assunto foi muito mal tratado.
Os Portugueses não são homofóbicos. Se achamos um cero ar apaneleirado nos tipos da Frente Nacional que apareceram na televisão dizemos. Gozamos com o ar de bicha recalcada dos tipos mas não os criticamos por isso. É-nos bastante indiferente a orientação sexual dum político. A verdade é esta. Assim criticar a homossexualidade em si é um erro. Os Portugueses não compram. Confundir pedófilos e homossexuais é assunto que ainda menos se compra. No que respeita o casamento gay e adopção por gays isso já pode ser assunto. A Igreja aprova, uma fatia mais conservadora do eleitorado também.
No entanto, à semelhança do nosso Yosemite atiram para tantos lados que acabam por levar um tiro no pé. Senão vejamos:
O sector mais conservador que se pode opor ao casamento e adopção por gays podem estar ligados à Igreja Católica e ao P.P. A Igreja não gosta muito que se hostilize imigrantes e evita falar de pedofilia. O P.P. não gosta nada de hostilizar homossexuais.

Podemos por tanto concluir que a Frente Nacional está condenada a fazer manifestações com cem ou duzentas pessoas e acabar como o Yosemite Sam muito mal tratado pelo Bugs Bunny.

domingo, 18 de setembro de 2005

O Sousita viu hoje, em reprise, o debate entre o Carrilho e o Carmona.

Valha-nos Deus e os Santos todos. Dois bêbados a discutirem futebol, numa tasca, tinham mais nível.

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Álvaro de Campos

The Times

Sentou-se bêbado à mesa e escreveu um fundo
Do Times, claro, inclassificável, lido,
Supondo (coitado!) que ia ter influência no mundo....
Santo Deus!... E talvez a tenha tido!

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Mais Farpas

A preocupação única e exclusiva dos preceptores é que os seus alunos estejam quietos no colégio e sejam no fim do ano lectivo aprovados no Liceu Nacional. Para conseguir a aprovação dos estudantes nos exames que eles façam, o preceptor emprega todos os esforços e todos os meios, excepto talvez um único -, que é o de lhes ensinar o objecto sobre que tem de versar o exame.

Para se ajuizar dos outros meios que dão em resultado a aprovação dos alunos, cumpre saber-se que o júri dos exames é composto de professores do liceu. Estes senhores têm organizado o programa das suas perguntas e feitos os pontos que no fim do ano serão tirados à sorte para indicar a passagem sobre que tem de passar-se exame. Ora neste caso o modo mais simples e mais lógico de conseguir a aprovação seria haver o programa das perguntas e a colecção dos pontos. Assim quinze dias bastariam para que o aluno decorasse os textos sobre que tinha de tirar o ponto, e o êxito do exame não poderia ser, depois disso, duvidoso. Sucede porém que os lentes do liceu insistem em não vender os pontos pela razão um tanto frívola de que isto seria a mais sórdida das veniagas e o mais abjecto dos subornos. Aqui principiam os trabalhos memoráveis a que se dá o preceptor para assegurar o futuro científico e literário do seu aluno.

– Homem! deixe-me levar os pontos aos rapazes!

– Não! isso não! leve-lhes tudo quanto quiser, menos os pontos! Quer uma coisa?... Leve-me a mim – por vinte mil réis por mês – mas os pontos não! nunca!

– Bem! basta! Não falemos mais nos pontos, e venha daí você!

Assim é que os professores públicos do Liceu Nacional, vogais do júri dos exames no mesmo liceu, não vendem os pontos aos colégios particulares mas exercem neles o magistério. Há professor no liceu de Lisboa que ensina particularmente a disciplina de que é examinador em oito diferentes colégios de educação de rapazes! Não há nisto sombra de corrupção nem desaire de espécie alguma. Somente acontece – e isto é um facto extremamente secundário! – que de cada cem alunos que concorrem a exame no liceu podemos afoitamente computar em noventa o número dos que ignoram as disciplinas em que são julgados aptos. Se os ilustres professores nos quiserem honrar com o seu desmentido, requeremos uma sindicância às escolas e provaremos com factos que de cem alunos aprovados em latinidade no ano de 1870 não haverá seis que em 1871 traduzam correctamente meia página de qualquer autor latino à nossa escolha.


São enormes, são pavorosos os males que resultam dos simples factos que acabamos de indicar.

Em primeiro lugar os alunos habituam-se desde a infância, nos primeiros actos da sua vida civil, a descrerem do mérito, do trabalho e do estudo, e a contarem para todo o êxito com a falseação das provas, com a mercancia da justiça e com a omnipotência do compadrio – perfeita iniciação para uma existência de intriga, de indolência e de desonra.

Os pais, quites para com as suas consciências dos encargos da educação que devem a seus filhos pelo facto de haverem delegado noutros esses encargos, contentam-se em participar aos parentes que o menino continua a ser aprovado nos seus exames, até que, aos dezasseis ou dezassete anos, o colégio devolve à família plenamente aprovado em todos os seus estudos o menino que a família lhe confiara, e o pai encontra-se então, frente a frente, no seu campo, na sua loja, na sua oficina ou no seu lar doméstico, com um mancebo aproximadamente inútil para toda a espécie de emprego. Todas as faculdades desse pequeno homem, em que a barba principia a repontar com as paixões ardentes da puberdade, estão inertes, enervadas ou corrompidas.
Portugal, que em 1991 já estava atrasado em matéria de escolaridade face à média da OCDE, aumentou esse atraso até 2002, apesar de alguns progressos registados na escolaridade nacional, indica um estudo do economista Eugénio Rosa, que afirma não ser possível alcançar taxas de crescimento económico elevadas e duradouras sem aumentar o nível de escolaridade.



Para se empregar n'outros serviços precisariade uma educação preparatoria pratica, para a qual são indispensaveis as escolas profissionaes que não existem em Portugal. Em França, naInglaterra, na Allemanha e principalmente na Suecia, as mulheres habilitadas em cursos especiaes teem já muitos empregos uteis na industria e no commercio. Em 1871 havia na Suecia 4:055 mulhere sempregadas no commercio e na industria. D'estas 2:675 dirigiam os seusproprios negocios. Quinhentas e quatro mulheres eram proprietarias defabricas e de officinas. Além d'isto muitas outras se achavam empregadas nos bancos, nas caixas de soccorros, nas companhias de seguros, etc. come molumentos annuaes variando de 800 a 5:000 rixdalers. No serviço dosc orreios, dos caminhos de ferro, dos telegraphos, a mulher alarga de dia para dia os seus dominios. A America, a Suecia, o Wurtemberg,offerecem-lhe sob esse ponto de vista as maiores facilidades.


As Farpas


Eis as palavras proferidas sobre este assumpto por um dos legisladores mais moços e mais instruidos d'aquelle sabio congresso:
«O sr. conde de Rio Maior (copiamos o extracto da sessão, publicado do Jornal do Commercio), não é adversario do desenvolvimento da instrucção primaria, porque não deseja que continue a subsistir o estudo de ignorancia do nosso povo, onde a proporção dos que sabem ler é de 1 para 25, emquanto na Allemanha, Hollanda, Belgica, etc., é de 1 para 6. Mas não deseja que se vote o estabelecimento do ensino obrigatorio. Prefere a liberdade do ensino, porque julga mais conveniente que os paes tenham a liberdade de darem aos filhos o ensino que lhes parecer mais proprio. Póde haver um individuo analphabeto mas que seja homem de ordem e temente a Deus, que não queira mandar o seu filho a uma escola cujo mestre ensine doutrinas perigosas. Lembra que nos tempos das nossas maiores glorias, embora a instrucção estivesse pouco diffundida, a nação portugueza attingiu um alto grau de prosperidade; não pretende dizer com isto que deixe de se derramar a instrucção, porque tambem é apostolo d'esta idéa, mas quer que essa instrucção seja ao mesmo tempo moral e religiosa.»


As Farpas



Casou José Fernandes com Bonifácia Teixeira, filha do patrão, que negociava em azeite, depois que enriquecera na sua mercearia do Largo de S. Bento.
Basílio foi o primogénito e único. Nascera muito gordo e extraordinariamente volumoso. Tinha a cabeça igual ao restante do corpo, e uns pés dignos pedestais do capitel da irregular coluna. Enquanto ao tamanho descomunal da cabeça, foi isto motivo para muitas alegrias em casa; no parecer daquela mãe ditosa, a grandeza da cabeça era sinal de juízo, e o tamanho das orelhas correlativas sinal de bom coração. O pai, como não tinha ideias suas acerca de orelhas, abundava na de sua mulher, posto que de via certa soubesse que um mau vizinho da porta dissera que o seu Basílio era aleijado, e sairia com orelhas de burro, se se demorasse mais três meses no ventre materno.
A casa do merceeiro ia um frade carmelitano de óptimos costumes, ainda parente transversal da Senhora Bonifácia. Era opinião de frei Silvestre do Monte do Carmo que a volumosa cabeça do menino significava talento. Este prognóstico abalava mediocremente os ânimos dos pais, que não sabiam o que era, nem o para que servia neste mundo o talento.
- Se as religiões não acabarem, como por aí agouram os ímpios – dizia o frade -este menino pode vir a ser um grande sábio numa ordem rica.
- O que eu quero – acudia o pai – é que ele seja um negociante fino, e que dobre o património com a sua agência.
O prognóstico de frei Silvestre, um ano depois, ficou prejudicado com a
mudança de reinado. Acabaram as religiões, agouradas pelos ímpios; e a cabeça de Basílio, no entender do frade, ficou sendo uma cabeça inútil e malograda, a qual devera ter vindo e florescido em orelhas, e ideias do tamanho das orelhas, cinquenta anos antes

AVENTURAS DE BASÍLIO FERNANDES ENXERTADO, Camilo


Dâmaso voltou-se para o velho, deixando cair os braços, descorçoado:
- Aí está, Sr. Afonso da Maia! Aí está por que em Portugal nunca se faz nada em termos! É por que ninguém quer concorrer para que as coisas saiam bem... Assim não é possível! Eu cá entendo isto: que num país, cada pessoa deve contribuir, quanto possa, para a civilização.
- Muito bem, Sr. Salcede! disse Afonso da Maia. Eis aí uma nobre, uma grande palavra!
- Pois não é verdade? gritou Dâmaso, triunfante, a estoirar de gozo. Assim eu, por exemplo...
- Tu, o quê? exclamaram dos lados. Que fizeste tu pela civilização?...

- Mandei fazer para o dia das corridas uma sobrecasaca branca... E vou de véu azul no chapéu!

Eça de Queirós, Os Maias

O Sousa hoje deu-lhe para a literatura.

Era sua íntima amiga. Tinham sido vizinhas, em solteiras, na Rua da Madalena, e estudado no mesmo colégio, à Patriarcal, na Rira Pessoa, a coxa. Leopoldina era a filha única do Visconde de Quebrais, o devasso, o caquético, que fora pajem de D. Miguel. Tinha feito um casamento infeliz com um João de Noronha, empregado da Alfândega. Chamavam-lhe a “Quebrais”; chamavam-lhe também a “Pão e Queijo”.
Sabia-se que tinha amantes, dizia-se que tinha vícios. Jorge odiava-a.
E dissera muitas vezes a Luísa: tudo, menos a Leopoldina!
Leopoldina tinha então vinte e sete anos. Não era alta, mas passava por ser a mulher mais bem-feita de Lisboa. Usava sempre os vestidos muito colados, com uma justeza que acusava, modelava o corpo como uma pelica, sem largueza de roda, apanhados atrás. Dizia-se dela com os olhos em alvo: é uma estátua, é uma Vênus! Tinha ombros de modelo, duma redondeza descaída e cheia: sentia-se nos seus selos, mesmo através do corpete, o desenho rijo e harmonioso de duas belas metades de limão; a linha dos quadris rica e firme, certos quebrados vibrantes de cintura faziam voltar os olhares acesos dos homens. A cara era um pouco grosseira; as asas do nariz tinham uma dilatação carnuda; na pele, muito tina, dum trigueiro quente e corado, havia sinaizinhos desvanecidos de antigas bexigas. A sua beleza eram os olhos, duma negrura intensa, afogados num fluido, muito quebrados, com grandes pestanas.
Luísa veio para ela com os braços abertos, beijaram-se muito.

...


— Isto é um vale de lágrimas! — resumiu Leopoldina, recostando-se.
Estava loquaz. Servia-se muito, com gula; depois picava um bocadinho na ponta do garfo, provava, deixava, punha-se a comer côdeas de pão que barrava de manteiga. E deleitava-se nas recordações do colégio! Que bom tempo!
— Lembras-te quando estivemos de mal?
Luísa não se lembrava...
— Por tu teres dado um beijo na Teresa, que era o meu sentimento — disse Leopoldina.
Puseram-se a falar dos sentimentos, Leopoldina tivera quatro; a mais bonita era a Joaninha, a Freitas. Que olhos! E que bem-feita!
Tinha-lhe feito a cone um mês!...
— Tolices! — disse Luísa corando um pouco.
— Tolices! Por quê?
Ai! Era sempre com saudades que falava dos sentimentos. Tinham sido as primeiras sensações, as mais intensas. Que agonia de ciúmes!
Que delírio de reconciliações! E os beijos furtados! E os olhares! E os bilhetinhos, e todas as palpitações do coração, as primeiras da vida!
— Nunca — exclamou — nunca, depois de mulher, senti por um homem o que senti pela Joaninha!... Pois podes crer...
Um olhar de Luísa deteve-a. — A Juliana! Diabo! Tinha-se esquecido! Constrangia-as muito, com o seu sorrisinho torcido, a figura
de peito chato, o tique-taque metálico dos tacões.
— E que foi feito da Joaninha? — perguntou Luísa.
Morrera tísica — e a voz de Leopoldina fez-se saudosa. Uma doença bem triste, não era? Mas não lhe tinha medo, ela! Batia no seio, bem formado:
— Isto é rijo, isto é são!
Juliana saiu, e Luísa observou logo:
— Vê no que falas, filha! Tem cuidado!
Leopoldina curvou-se:
— Ah! a respeitabilidade da casa! Tens razão! — murmurou.
E como Juliana entrava com o bacalhau assado, fez-lhe uma ovação!
— Bravo! Está soberbo!


O Primo Basílio, Eça de Queirós

Manifestação Governo Civil de Lisboa autorizou acção de protesto contra adopção de crianças por casais homossexuais, a pedofilia e o lóbi "gay"

Esta noticia levou o Sousita a publicar um poema já aqui anteriormente publicado. É do Pina e é uma delicia.


Lição de História Pátria

Sabias - disse-me ela fazendo-me a punheta -
que muito valentão entala a costeleta
e que entre os nossos reis, valorosos guerreiros,
muitos houve que foram famosos paneleiros
que entre duras batalhas e esforçados trabalhos
recheavam o cu com túrgidos caralhos.
Sabias por acaso que o primeiro Pedro, o Cru,
mais que a foder gozou indo levar no cu?
E que o primeiro Afonso que à mãe não perdoava
se deixava montar por Fernão Peres de Trava?
E quantos, ah! ó quantos grandes deste país
fizeram do cu vaso para meter a raiz?
Cuidado! gritei eu afagando-lhe o lombo -
faz isso com mais calma que os colhões não são bombo.
Desculpa - disse-me ela. - Depois continuou
revelando-me a rir que o seu próprio avô
que morrera com fama de grande putanheiro
passara toda a vida a levar no traseiro.
E a Igreja? - gritou - Do padre ao cardeal
toda ela se entregou à banana fatal
e a esse mesmo fruto que faz de um cu vulcão
se entrega toda a cáfila que governa a nação :
ministros, secretários e directores-gerais
todos abrigam pichas nos albergues anais...
E safou-se Salazar de ser também rabicho
porque nesse momento gritei e vim-me em esguicho.


O Sousa da ponte

recebida por email

Um tipo está na fila da caixa no supermercado quando repara numa louraça
que
lhe faz sinais com a mão e lhe lança um sorriso daqueles. Ele deixa por
momentos o carrinho das compras na fila, dirige-se à louraça e diz-lhe
suavemente:

- "Desculpe, será que não nos conhecemos?"

Ela responde-lhe, sempre com aquele sorriso:

- "Pode ser que eu esteja enganada, mas penso que o senhor é o pai de uma
das minhas crianças ... ."

O tipo põe-se imediatamente a vasculhar na memória e pensa na única vez em
que foi infiel à esposa, perguntando de imediato à louraça:

- "Ena pá, c'um caraças, não me diga que você é aquela stripper que eu comi
sobre uma mesa de bilhar, diante de todos os meus amigos, numa noite bem
bebida, enquanto uma das suas amigas me flagelou o tempo todo com uns nabos
molhados e me enfiou um pepino pelo cú acima?"

- "Bem, não", - responde ela -, "eu sou a nova professora do seu filho!!!"

European Psycho



O Sousa da ponte


Mandam as regras que nunca se vai para um motel com a legítima. Não
só não tem piada, como pode causar sérias perturbações familiares...
Gostava agora de repartir com os meus amigos e leitores esta pequena
história, que o tempo e o passar de boca em boca não permitem
identificar se é verdadeira ou simples fabula. Seja como for, aqui
vai!

Josefa não aguentou e teve de contar à sua amiga Lurdes:
- O teu marido foi visto num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua
de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu
detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Ontem. No Discretu's.
- Com quem? Com quem?
- Isso eu não sei.
- Mas como era a gaja? Era alta? Magra? Loira? Pernas boas? Rabo
grande?
Mamas arrebitadas...
- Não sei, Lu.
- O Carlos Alberto vai-mas pagar. Olaré, se me paga!!

Quando o Carlos Alberto chegou em casa, a Lurdes anunciou que iria
deixá-lo. E contou porquê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Então não te lembras quem era a
mulher que estava comigo no motel eras tu, minha tonta!!!
- Claro que me lembro !! Maldita hora em que eu aceitei ir lá ao
Discretu's dar uma rapidinha! Toda a cidade já sabe que tu estiveste
lá com uma gaja!!! Ainda bem que não me identificaram...
- E agora?
- Agora ?? Agora vou ter que te deixar !! É óbvio? É o que todas as
minhas amigas estão à espera que eu faça. Não sou mulher de ser
enganada pelo marido e não reagir.
- Mas tu não foste enganada. Quem estava contigo era eu, o teu marido!
- Mas isso é pormenor e elas não sabem disso!
- Eu não acredito, Lurdes! Tu vais acabar o nosso casamento por causa
disso? Pelo que as outras mulheres pensam ???
- Vou!

Mais tarde, já quando a Lurdes estava a sair de casa, com as malas, o
Carlos Alberto chamou-a. Estava sombrio, taciturno...
- Acabo de receber um telefonema - disse - Era o Mendes.
- O que é que ele queria?
- Fez mil rodeios, mas acabou por me contar. Disse que, como meu
amigo, tinha que me contar.
- O quê?
- Que tu foste vista a sair do motel Discretu's ontem, com um homem,
e que de certeza não foi coisa boa.
- O homem eras tu!
- Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Mas não lhe disseste que eras tu?
- O quê? Para os meus amigos ficarem a pensar que vou a um motel com a
minha própria mulher? Deus me livre de tal coisa!!
- E então?
- Desculpa, Lurdes, eu não queria, mas...
- Mas o quê???
- Vou ter que te dar uma carga de porrada...

terça-feira, 6 de setembro de 2005



O Sousa da ponte


MELRO

O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio,
Madrugador, jovial;
Logo de manhã cedo
Começava a soltar, dentre o arvoredo,
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
Que dá para o passal,
Repicando umas finas ironias,
O melro; dentre a horta,
Dizia-lhe: "Bons dias!"
E o velho padre-cura
não gostava daquelas cortesias.

O cura era um velhote conservado,
Malicioso, alegre, prazenteiro;
Não tinha pombas brancas no telhado,
Nem rosas no canteiro:
Andava às lebres pelo monte, a pé,
Livre de reumatismos,
Graças a Deus, e graças a Noé.
O melro desprezava os exorcismos
Que o padre lhe dizia:
Cantava, assobiava alegremente;
Até que ultimamente
O velho disse um dia:

"Nada, já não tem jeito!, este ladrão
Dá cabo dos trigais!
Qual seria a razão
Por que Deus fez os melros e os pardais?!"






Guerra Junqueiro.

O adamastor


.E disse: .Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?.
E o homem do leme disse, tremendo:
.El-Rei D. João Segundo!..

Pessoa...a mensagem
O Sousa da ponte


O Sousa da ponte

Je m'appelle Zangra et je suis lieutenant
Au fort de Belonzio qui domine la plaine
D'où l'ennemi viendra qui me fera héros
En attendant ce jour je m'ennuie quelquefois
Alors je vais au bourg voir les filles en troupeaux
Mais elles rêvent d'amour et moi de mes chevaux

Je m'appelle Zangra et déjà capitaine
Au fort de Belonzio qui domine la plaine
D'où l'ennemi viendra qui me fera héros
En attendant ce jour je m'ennuie quelquefois
Alors je vais au bourg voir la jeune Consuelo
Mais elle parle d'amour et moi de mes chevaux

Je m'appelle Zangra maintenant commandant
Au fort de Belonzio qui domine la plaine
D'où l'ennemi viendra qui me fera héros
En attendant ce jour je m'ennuie quelquefois
Alors je vais au bourg boire avec don Pedro
Il boit à mes amours et moi à ses chevaux



Brel

Quantas vezes sentimos isto ?



O Sousa da ponte


Les bourgeois
Le coeur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient...

Le coeur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restais le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient...

Le coeur au repos
Les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo
Et avec maltre Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "peigne-culs" nous montrent leur derrière
En nous chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Disent-ils Monsieur le commissaire
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient...

Juro que o o Sousita fez apenas um search no google e descobriu o famoso cu de Judas. Nada de muito elaborado.
O Sousa da ponte

segunda-feira, 5 de setembro de 2005


O Sousita, ja bastante careca, não resitiu a dizer que....há quem esteja mis careca....hi hi hi.

Conversa só entendida por quem esteja careca ou em vias de .....


O Sousa da ponte

O Sousa tinha que publicar o sorriso da progenitora. Foi a produtora. Qualquer relamação é favor dirigir à produção.

Agora a sério!

A minha mãe não tem um sorriso fantástico ?

AGRADEÇO comentários........

Ok ?

E positivos.....é a mãezinha.......


O Sousa da ponte
A nossa fragilidade.

Somos de facto frágeis. È fácil e rápido fazer um campo de refugiados no Sudão, na Etiópia ou no Cu de Judas. Difícil é encontrar soluções no nosso próprio território. Razões ideológicas à parte parece-me que a administração americana fez asneira. Agiu tarde e mal. Não foi eficiente. Aliás parece-me que nunca ninguém pensou que os diques fossem rebentar.
Asneira!
Agora a questão que se coloca é esta: podemos resolver um onze de Setembro, mas se os danos forem do tipo New Orleans ficamos de mãos e pés atados. Não há capacidade de resposta.
Mesmo nos E.U.A.
De facto vivemos tão dependentes de bandas largas, TV, electricidade, água canalizada e etc., etc. que nem nos passa pela cabeça uma falta assim.

Estamos condenados pelos terroristas?

Talvez sim.

Basta cortarem-nos os serviços essenciais e lá vamos nós.

Agora reflecte o Sousa:

Eu moro num 17 º andar. Tenho persianas eléctricas e dependo da electricidade para ter água e elevadores. Nem um carro consigo tirar da garagem sem electricidade. Sem ela não tenho luz, carro, água ou meio de transporte. Devo ter no frigorífico, como reservas, caviar, Moet et Chandon, picantes, salada e outras coisa inúteis ou perecíveis.

Quanto tempo ia durar?
O Sousa da Ponte e os trágicos acontecimentos nos Estados Unidos.

O Sousa não simpatiza particularmente com a mentalidade típica americana. Fruto dum estado nação quase perfeito – é realmente difícil encontrar algo parecido com Portugal – extrapola, como quase todos os portugueses do estado nação com séculos de fronteiras e cultura estáveis para conjuntos de nações que tem que viver, ou conviver, sob o mesmo estado ou estados.
Para nós é difícil compreender estados multinacionais, como Espanha, ou Federais, como a Alemanha, o Brasil, o México ou os Estados Unidos.
Custa-nos também entender o sistema de castas da Índia, a guerra étnica em Africa ou na ex-Joguslávia, a Sharia Islâmica, a contenção oriental, o tabaco de mascar na Noruega e muitas outras situações.
No entanto temos uma herança cultural comum que se chama tolerância. Isto é, tentamos entender os costumes dos Ianomanis, as diferenças culturais dos Polinésios, as regras morais dos Etíopes e por aí fora.
Quando se trata de Americanos – não nativos – saímos do sério. Ou se ama ou se odeia. Não há meio-termo.
De facto as administrações americanas têm se caracterizado pela mais elementar falta de ética no plano internacional. Como exemplos simples temos o Vietnam, a operação Condor no Chile, a manipulação da revolução Cubana e mesmo o que nos tentaram fazer no 25 de Abril. Exemplo péssimo duma politica externa baseada no interesse e sem quaisquer valores éticos.
É claro que invadir o Iraque, com o intuito de eliminar armas de destruição massiva e possíveis ataques terroristas, porque uns Sauditas atacaram Nova York tem a mesmíssima lógica de bombardear a Suécia porque a ETA colocou uma bomba em Madrid.
O intuito foi claramente afastar a frente de guerra do território americano e levar os terroristas a atacarem no Iraque e deixarem o território americano em paz. Como resultado não me parece mau de todo.
E o que é que isto tem a ver com New Orleans ?
Muito, ou talvez nada.
O facto em New Orleans é que não estamos preparados. Houve asneira? Houve! Se calhar mais do que isso mas a verdade é que não estamos preparados para evacuar cidades. Podemos evacuar os muito ricos, os ricos, os mais ou menos ricos e até os que não são assim tão pobres. Mas os pobres?
Pois é! Tentem evacuar uma cidade como o Porto, Lisboa, Madrid ou Barcelona….
Os ricos sei eu onde se metem e os outros? E quantos são?
Vamos reflectir nisto e pedir a Deus que não haja um terramoto em Lisboa. Alguém tem alguma ideia o que se fazia à zona J de Chelas ? e ao casal ventoso ? e…?
Links para imagens de satélite

New Orleans.

http://www.digitalglobe.com/images/katrina/new_orleans_msi_aug31_2005_dg.jpg


A famosa área 51….a dos ETs

http://bbs.keyhole.com/ubb/showflat.php?Cat=0&Number=10067

quinta-feira, 1 de setembro de 2005



O Sousa da ponte



Última Página

Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.

Manuel Alegre


O Sousa da ponte




ENTREI NO CAFÉ COM UM RIO NA ALGIBEIRA

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento. «São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explica ao Portugal Diário a enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.

Vá lá. Não custa quase nada !

As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para:Instituto Português de Oncologia de Francisco GentilRua Professor Lima Basto 1093 Lisboa Codex


O Sousa da ponte


Acerca do discurso de Mário Soares aqui vai o poema original do Pessoa na íntegra:

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...