Blog dum gajo do Porto acerca de gaijas, actualidade política e sem futebol. Aqui o marmelo não gosta de futebol

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Máximas e Mínimas do Barão de Itararé
De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
. Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
. Quem empresta, adeus...
. Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
. Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
. Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
. Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
. Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
. Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
. Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
. Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
. Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
. Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
. A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
. Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
. Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Esclarecimento acerca da secção malandrices e Parecem malandrices mas não são.

O Sousita, embora às vezes tenha uns posts politicamente incorrectos e que parecem até homofóbicos, é liberal e tudo.
Agora há uma grande diferença entre consentimento e não consentimento.
A página http://www.sofiasexy.com/ é mesmo sobre o não consentimento.
E, em casos como este, não é só o traficante que é culpado mas também o cliente e quem viu ou soube e se borrifou…

Não é o que parece


Não é o que parece. O link está na secção:

Parecem malandrices mas não são

Com o nome : ver e meditar.

Recordando Eça

Não dava tão pouco ideias, porque, apesar da sua alta ilustração, que o torna um dos nossos grandes contemporâneos, a sua prudência, a sua reserva eram tais, que raras vezes se lhe tinha ouvido uma opinião nítida.
Sabia-se que aquela fronte um pouco calva, de entradas largas, estava recheada de ideias; somente conservava-as como um tesouro escondido. Era, por assim dizer, um avaro intelectual. As suas ideias eram para si; no silêncio do seu gabinete, agitava-as como o velho Grandet agitava o seu ouro, regalando-se do seu brilho e da sua sonoridade. Mas se alguém entrava de repente, aferrolhava tudo à pressa no cofre do cérebro, e a sua larga testa, de entradas altas, não oferecia mais que uma fachada impenetrável e monumental, que impressionava a todos e não aproveitava a ninguém.
Era alto, encorpado, e os seus olhos, azulados e redondos, tinham uma singular falta de expressão e de intenção. Porém, todos sabiam que por trás daquele olhar parado um mundo de ideias fermentava.
É curioso observar quantos homens públicos do nosso país têm esta aparência apagada, vazia, vaga, abstracta, sonâmbula; e, todavia, eu que pelo Conde fui admitido a conhecê-los, sei quanto génio habita em segredo naquelas cabeças calvas ou cabeludas, a que os superficiais, não lhes conhecendo as secretas riquezas, acham um aspecto alvar. É que nós somos uma raça reservada, inimiga da ostentação e das atitudes: ao inverso dos franceses, que mal têm uma ponta de talento, tratam de o fazer brilhar, reluzir, deslumbrar, nós, com vastidões de génio no interior, desprezamos estas demonstrações vaidosas e guardamos para nós mesmos as nossas riquezas intelectuais. Assim faz o árabe, que cerca os seus jardins deliciosos e as suas habitações douradas de um muro negro de pedra e lama, de modo que se julga ver uma cabana onde realmente existe uma Alhambra! Mas não somos nós de raça árabe?
Por isso nunca o Conselheiro Gama Torres se dignou fazer à Bandeira Nacional a esmola de uma ideia. Deu-lhe, porém, a protecção do seu nome; dizia-se «a Bandeira do Gama Torres» e isto trazia ao jornal uma autoridade imprevista.
Muitas vezes, segundo me contou o Conde, durante os meses de Estio em que a política, refugiada na sombra das quintas ou na frescura das praias, dormita, o redactor da Bandeira, sem assunto para o seu artigo de fundo, recorria ao génio do Conselheiro, como um pobre envergonhado. Gama Torres, porém, colocando-se no meio da casa, as pernas afastadas, o ventre saliente, as mãos atrás das costas, fitava o soalho e bamboleando o crânio fecundo, murmurava surdamente:
– Ele há muitas questões!... Há questões terríveis. Há a prostituição... o pauperismo... Ele há muitas questões...
Mas, repito-o, era um avaro intelectual que não gostava de fazer a esmola de uma ideia. Não o censuro, pois é sabido que ele dava todo o seu tempo e todo o seu génio às grandes questões sociais. Elas preocupavam-no tanto que era usual – sempre que diante dele se falava de assuntos políticos – ouvi-lo murmurar soturnamente:
– Ele há muitas questões! Questões terríveis: o pauperismo, a prostituição! São grandes questões! Questões terríveis!
E pareciam com efeito terríveis essas questões, de uma tenebrosidade de abismo, quando se via o olhar esgazeado com que ele parecia contemplá-las mentalmente.
Pouco tempo antes da sua morte, lembro-me de o ter visto, uma noite, em Casa do Conde, numa ocasião de crise ministerial, e nunca esquecerei a terrível impressão que me deixou aquele grande homem, de pé no meio da sala, esgazeando o olhar em redor e dizendo cavamente:
– Os senhores podem crê-lo, nem tudo são chalaças; ele há questões terríveis... A prostituição, o pauperismo, o ultramontanismo... Questões terríveis.
E no silêncio apavorado que deixara aquela voz profética, em que se sentia a ameaça de graves tormentas sociais rolando do fundo do horizonte, aproximei-me instintivamente do Conde, como quem procura asilo seguro.


O Conde d'Abranhos
Eça de Queirós

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Yo soy un hombre sincero
De donde crece la palma.
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma.
Yo vengo de todas partes,
Y hacia todas partes voy:
Arte soy entre las artes,
En los montes, monte soy.
Yo sé los nombres extraños
De las yerbas y las flores,
Y de mortales engaños,
Y de sublimes dolores.

…
He visto vivir a un hombre
Con el puñal al costado,
Sin decir jamás el nombre
De aquella que lo ha matado.
Rápida, como un reflejo,
Dos veces vi el alma, dos:
Cuando murió el pobre viejo,
Cuando ella me dijo adiós
Uma compilação do Sousa da ponte do José Marti…
E, sem saber nada de poesia, o que mais me dá gozo é:

Cultivo una rosa blanca,
En julio como en enero,
Para el amigo sincero
Que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo
Cardo ni oruga cultivo:
Cultivo la rosa blanca.


Claro que há outros, mas depois d isto vale apenas mais? Vale:

Por donde abunda la malva
Y da el camino un rodeo,
Iba un ángel de paseo
Con una cabeza calva.


¡Otro ¡


Vino el médico amarillo
A darme su medicina,
Con una mano cetrina
Y la otra mano al bolsillo:
¡Yo tengo allá en un rincón
Un médico que no manca
Con una mano muy blanca
Y otra mano al corazón!

Viene, de blusa y casquete,
El grave del repostero,
A preguntarme si quiero
O Málaga o Pajarete:
¡Díganle a la repostera
Que ha tanto tiempo no he visto,
Que me tenga un beso listo
Al entrar la primavera!

Uma busca no baú.


Nem digo qual a origem nem…
Era uma vez em Portugal

À maneira do Eça

O procurador compôs logo um relatório a enumerar os inconvenientes do casarão: o maior era necessitar tantas obras e tantas despesas; depois, a falta dum jardim devia ser muito sensível a quem saía dos arvoredos de Boliqueime; e por fim aludia mesmo a uma lenda, segundo a qual eram sempre fatais aos Cavaco as paredes de Belém, «ainda que (acrescentava ele numa frase meditada) até me envergonho de mencionar tais frioleiras neste século de Voltaire, Guisot e outros filósofos liberais...»

À maneira de Saramago...

No dia seguinte nenhuma mulher falou. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido que nenhuma mulher produzisse palavra, por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar.

E depois, muitas peripécias e golpes de teatro, terminava o romance, ou novela dizendo:

No dia seguinte nenhuma mulher falou

What a wonderful world…

sábado, 26 de novembro de 2005

eppur si muove

O Sousita retrata-se também e afirma que as vítimas da casa pia são alegadas vitimas e que nunca viu meninos, ou meninas, nos jardins dos Jerónimos e que se alguém viu foi mera ilusão de óptica e que nunca viu, e que jura pela saúde do leitor deste blog, que nunca viu nas ruas do Porto, de Lisboa, de Évora, ou de Portalegre ou Coimbra – no choupalinho, por exemplo –, ou em qualquer outra cidade do país ou das ilhas qualquer menor com ar de quem ia prostituir-se e muito menos com a conivência, ou desleixo, das autoridades instituídas ou a instituir, ou mesmo reformadas.

Acrescenta não saber de nada e que mesmo que o soubesse ia omitir e, ou, mentir.

Nega também saber que na Avenida das Forças armadas, em Lisboa, existisse – alegadamente – um aviário frequentado pela fina flor do país e onde, alegadamente, se prostituíam menores nos anos oitenta.
O Sousita não quer dizer com isto que está acima dos tribunais. Acredita piamente que os tribunais e o sistema judicial lhe podem dar cabo da vida, chatear até à metafísica, e criar problemas do tamanho da serra da estrela.
Acredita, e isto é crer, que são ineficazes e injustos e que são lentos.
São apenas rápidos para quem chateia.
Queira Deus que os mesmos não se lembrem do Sousita e que não vão pegar em águas passadas.
Se assim for o Sousita aprenderá que o calado é o melhor.
Queira Deus que assim não seja.
No entanto se assim não for, mesmo lixado, o sousita aprenderá uma lição.
O caso casa Pia já mete, de facto nojo.

A única coisa coerente no julgamento pareceu-me a mudança de instalações para um teatro, Vasco Santana se não me engano, muito apropriado.

Quanto ao desfecho todos nós sabemos qual é:
Absolvição dos arguidos, independentemente de serem culpados ou inocentes, e o borrar de nomes de inimigos políticos ou concorrentes na comunicação social.

Faz-se assim justiça.

Parece ao Sousita, e restam muito poucas dúvidas a quem quer que seja, que houveram miúdos que foram vítimas de abusos.
Pelos relatórios apresentados parece que os miúdos da casa Pia foram abusados sexualmente pelos mais velhos e por pessoal interno da casa pia e que alguns, ou muitos, se prostituam, pública e notoriamente nos jardins de Belém e noutros locais.
E, pelos vistos eram assim há que anos sem que ninguém se importasse.

O julgamento parece-me demasiado longo.
Sejamos justos.
Se houve – e há uma grande certeza que houve vitimas – elas devem ser tomadas em primeiro lugar na consideração de tudo isto
.
Um julgamento que se arrasta por três longos anos, cujo principal arguido é liberto e que não tem fim à vista, não parece demasiado longo e ineficaz?
Como se sentirá uma vitima perante esta situação?


Há uma coisa que esse chama carisma: é a capacidade de vincular os outros, duma forma ideológica, com um determinado ponto de vista, sendo a ideologia um conjunto de pontos de vista coerentes que traduzem e propõe uma determinada visão do mundo
E o carisma não se compra. Dá-se-nos.

Todos nós sabemos que o ministério público e os tribunais são a incompetência das incompetências. È triste mas é assim. Quem quer que lide com os tribunais deste país sabe que está perante uma máquina inoperante e com pessoas, que embora muitas vezes pessoalmente sejam um doce, são no plano profissional os piores entre os piores.
A máquina que as selecciona é que tem a culpa e não elas.
Poderia contar anedota sobre a anedota dos tribunais com que lidei mas abstenho-me. Basta a vergonha de o serem e saberem que são.
Claro que ninguém de bom senso em Portugal tem a mais pequena confiança no sistema judicial. Fica-nos bem como arguidos num processo dizer que confiamos na justiça e no sistema: no sistema judicial e no das finanças e no da saúde, no do futebol e até na Nossa Senhora de Fátima.

Mas caramba! Ninguém acredita no sistema judicial. Isto sendo franco. Nós todos sabemos que aquilo é uma ficção de advogados e juízes e funcionários judiciais. Ganha quem estiver de mais má fé. Que tudo se pode, e deve fazer, a fim de protelar um processo, ou ganhar uma diligencia. Que a corrupção, o compadrio e a ineficiência são a regra. È tão fácil adiar um processo, vigarizar numa diligência e, principalmente, utilizar as falhas do sistema em proveito próprio. E que o próprio sistema, sem que ninguém se mexa , é ineficaz.

Começa o mau exemplo com os próprios juízes que se deveriam dar-se ao respeito, o que não fazem, aceitam e corroboram tudo não se dando ao respeito que a um juiz deveria ser dado como órgão de soberania. Até greves fazem!


Não será demasiado para as vitimas tudo isto?

Na minha modesta – e muito ignorante – opinião o que se devia fazer era o seguinte:

Quem pode tomar a decisão deveria colocar na boca um apito e apitar : triim ! Acabou !

O sistema judicial não pode lidar com o caso, vamos assumir o fracasso, e partir para uma solução em que se possa fazer justiça.

Vamos adquirir carisma.

Libertem-se os arguidos, já que não conseguimos provar a inocência ou a culpabilidade deles, e vamos tratar das vítimas. Indemnizemos os miúdos, tratemos deles como seres humanos a precisarem de ajuda, e vamos reformular todo o sistema de apoio a menores em Portugal.

Acabemos com as casas pias em grandes metrópoles, desviemos – o que for de desviar – do orçamento de estado, para conseguirmos um apoio à próxima geração, e vamos aprender com os erros passados.

Vamos esquecer os Tribunais.

Como disse o Sr. presidente da Republica há algum tempo:

È necessário que as pessoas entendem que as leis não são meras indicações de conduta mas antes algo a cumprir…

Quando o mais alto Magistrado da nação diz isto….

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Rectificação, pedidos de desculpas e punição.

Os textos que OMaia publicou como cartas do Pai Natal têm autor:

http://eroticidades.blogspot.com/

O Sousita pede desculpa ao autor e garante que eu próprio e o Ronnie vamos enrabar OMaia até sair sangue e sem vaselina.

Em alternativa ao castigo autorizamos o autor dos textos a cortar um dos testículos do citado Omaia, a sangue frio.

Fica ao critério do autor.
Os programas apresentados pelo serviço público de televisão, primeiro e segundo canal, e pelos outros canais gratuitos é quase indiscernível. Varia entre notícias, séries e enlatados americanos ou brasileiros. No meio destes há anúncios.
O serviço público é igual aos outros com a diferença que custa dinheiro ao contribuinte.
Ora como é óbvio ninguém agradece. Excepto, é claro, os sucessivos governos que ameaçam privatizar a RTP, ou pelo menos, torná-la independente do governo e que prudentemente depois de eleitos a mantêm sob o seu controlo.
Assim é e assim será.
Contra isto nada.
Agora se querem dar um verdadeiro serviço público porque não passarem aquilo que os canais de antena aberta não passam e que é demasiado caro para os milhões de reformados deste país?

Passem filmes pornográficos em vez dos programas da manhã e vão ver como os reformados aderem. Em vez do Goucha dêem o Goutcha, em vez de receitas de culinária um filme hardcore primeiro escalão.

È coisa que os velhinhos com a reforma do estado não podem sequer sonhar subscrever na TV cabo. Iam ver os votos que tinham quando dissessem, em véspera de eleições, que: A oposição se ganhar vai acabar com a TV família da manhã…
E isso sim era um verdadeiro serviço público. Dar às pessoas o que elas querem, mas não podem, ver

in illo tempore

Era no início dos anos oitenta. O local e a hora, ou o tempo e o modo, ficam no segredo dos deuses. Poderá dizer-se que era em Lisboa.

No jardim dos Jerónimos muito meninos entre os 6 e os 16 anos, prostituíam-se, publica e notoriamente, sob o olhar condescendente da policia, de Sua Ex.ª O Presidente da Republica, dos transeuntes que passavam na 24 de Julho, dos vizinhos, das visitas dos habitantes da 24 de Julho, dos seguranças de Sua Ex.ª O Presidente da Republica, das visitas e amigos que frequentavam a residência oficial de Sua Ex.ª o Presidente da Republica, da namorada do segurança das obras do futuro centro cultural de Belém, do engenheiro que fiscalizava à noite as escavações para o CCB, do policia de transito que me multou na 24 de Julho – em frente aos meninos –, de eu próprio, dos meus amigos e das visitas oficiais ao Jerónimos e do Tal e Qual, e até da Gaiola Aberta.

Perto estava um carro da polícia com dois guardas. Guardavam a ordem pública.

Enfim! Todos sabíamos que o Jardim dos Jerónimos era o jardim dos pederastas. Não dos paneleiros. Os paneleiros iam para o Parque Eduardo sétimo. Aqui era mais meninos.

Uma noite, bons tempos em que não havia álcool teste, O Sousita, quase imberbe vinha num carro de Lisboa para Cascais. Um velhote – para nós com menos de vinte alguém de mais de quarenta era velho – estava de calças baixadas e encostado a uma árvore enquanto um miúdo, para aí de dez anos lhe fazia sexo oral.

O Sousita e amigos param, saem do carro e correm para o tal velho. O puto safa-se mais rápido que o som e fica o velhote a apertar as calças e a arfar.

Grita: eu chamo a policia! E é que podia chamar! E eles estavam perto.

Certos do rigor da autoridade contra tal desatino nosso contra a ordem estabelecida e o direito sagrado do velhote de comer o puto pirámo-nos em grande velocidade para Cascais.

O velhote lá se foi. E nos também.

A polícia ficou, condescendente no seu lugar, os guardas da residência oficial de Sua Ex.ª O Presidente da Republica também, os construtores, mirones, vizinhos e residentes da 24 de Julho seguiram o seu exemplo.

Fomos ou não todos coniventes?
O Sousita, muito ateu e descrente, com licença do Altíssimo, e fruto de más companhias e péssimas leituras, conhece três tipos de padres a saber:

O heterossexual e o homossexual e omnívoro.

O primeiro gosta mesmo de mulheres. Colhe as Flores do seu rebanho – ou do rebanho alheio – e, amiga que venha é arrebanhada no amor do Senhor e dele próprio, mesmo que a dita diga e grite em voz alta, Que eu com um padre não, Que isto vai levar-me ao inferno, E que faço tudo com toda a gente mas que com frade, padre ou freira não. Nada lhe adianta. Já sabe que tem de ir ao castigo. È assim. E as raparigas lá vão, sabe Deus, com que prejuízo na salvação das suas almas. Deus lhes perdoe a todos. Penso que Deus Perdoará, até porque o dito cujo, alegadamente, é bastante competente na confissão das almas e no resto. Especialmente no resto.

O homossexual persegue homens apenas. Repugnam-lhe, como ao muçulmano o presunto, as mulheres. Revê-se em Santo Agostinho já velho, e sonha com homens. È um incomodo se queremos baptizar a afilhada na igreja na qual ele tem jurisdição e enviamos as mulheres, de mini-saia. Ele treme de indignação e delicia-se connosco.
Um chato, enfim. Depois temos de o aturar, e fugir, na Cufra. Talvez Deus lhes perdoe, mas vai obrigá-los a tomar um forte laxante antes de o receber na sua glória.

O Omnívoro come de tudo. Seja mulher, homem, menino ou menina tudo é obra de Deus e, como tal, comestível. Tem uma boa boca e o resto. Nada lhe escapa embora tenha as suas predilecções. O seu lema é : Deus nos dê muito e nos contente com pouco, e quanto mais novo melhor. Se eu fosse mau, e não sou, falaria do Padre M que tanto gostava de meninos, do meu catequista que me apalpava no ciclo preparatório os tomates com tanto carinho, do O – que não sendo padre tanto gostava de meninos, da L que tanto gostava de meninas…e enfim…de tantas criaturas do Senhor e da sua forma, por vezes peculiar, de mostrarem e demonstrem aos outros – e sabe Deus com quanta dificuldade – o amor de Cristo e de Deus Nosso Senhor pelos homens, mulheres, meninos e meninas deste vale de lágrimas. Actualmente são muito incompreendidos mesmo no seio da Santa Madre Igreja que tanto lhes deve. Esses de certeza, que são da casa e vão entrar no Reino dos Céus sem grandes formalidades.
Deus permita e ouça os escritos deste pecador e lhes conceda a todos a graça, já que a Graça e a filhas já … mas isso é outra história.
Pensa o Sousita que uma encíclica sobre a homossexualidade dos membros do clero deve ter o nome em latim. A exemplo da Libertas praestantissimum, ou da Rerum novarum, o Papa, na sua infalibilidade, deveria fazer uma nova encíclica. Acerca do cu, da mariquice, dos gays e do seu lugar na salvação das almas.

Como o tema a tratar é a paneleireisse não me parece errado, salvo melhor opinião sobre o latinorum, ou latrinorum, como quiserem classificar o latim do Sousita, um título em latim.

Aliás sempre foram os Romanos que, meticulosa e seriamente, enrabaram os cristãos até ao advento do Imperador Constantino. Todos os cristãos devem isso ao Romanos e pelos vistos não se esquecem. Pelo menos são agradecidos.

Deveria começar Sua Santidade, diz o Sousita na sua infinita ignorância, por um texto assim:

Non abusatis esfíncter nostro (ou seja em vulgar: não nos enrabem mais)

Ou

Non abafandi palheirinum nostri. (ou em vulgar: não vais levar mais no cu de mim)


Eu sei que não declinei…mas bolas…nem abafo a palheira nem escrevo latim…e antes escrever latim…

Também não sou cristão.

Penso eu que o ponto de vista de Sua Santidade é muito frutuoso e bento. Todavia um gajo que habitualmente anda de saias vir, muito histérica, verberar contra os maricas…parece-me, no mínimo, complicado. È uma ressabiada…mas o Senhor a receberá na sua glória. A glória, com letra pequena, do Senhor e não dele, claro. Seja quem for a Glória.

Todavia, como os caminhos do Senhor são insondáveis nunca se saberá quem abafará a palheirita com os amens do Senhor e quem será abafado sem os mesmos amens.

O Sousita, prudentemente, nem abafa nem deixa abafar, e espera que o Senhor o perdoe por tal falta.

Laus Deo e Deo Gratias.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005


Destruiçao de Sodoma.

Fotografia da época.

Sacristices

Papa exclui homossexuais do sacerdócio

"Instrução" de Bento XVI não diz respeito a padres já ordenados

A Igreja exclui dos seminários e do sacerdócio quem praticar a homossexualidade, "apresentar tendências homossexuais profundas" ou apoiar a chamada "cultura gay", segundo um documento hoje divulgado.

Pretende assim Sua Santidade tornar invulneráveis os esfíncteres dos membros da Igreja a ataques e colocar alguma ordem na casa já bastante manchada por sucessivos escândalos.
A exemplo da destruição abrupta de Sodoma , cujos habitantes tinham como principal hobby o enrabanço, pretende Sua Santidade arrostar, quiçá a pontapés, para fora da Igreja os novos candidatos que tenham tendências ou comportamentos homossexuais. Aos antigos, pelos vistos, é-lhes facultado continuar. Quanto aos vícios e hábitos dos de Gomorra nada nos é dito. O Sousita treme de indignação só de pensar no que fariam. Felatio ? Sexo em grupo? Adultério? Viam os programas da TVI ?O Sousita treme e benze-se só de pensar nestas coisas.

O problema é que os habitantes de Sodoma tinham alternativa. Se se enrabavam uns aos outros faziam-no de livre e espontânea vontade. A bíblia nada nos diz acerca de alguma falta crónica de mulheres na cidade, ou de alguma característica intrínseca das suas habitantes que impedissem os sodomitas de copularem com elas. Se se sodomizavam uns aos outros era por livre iniciativa.

No caso dos membros da Igreja a coisa é diferente. Por estatuto não podem nem devem, por muito que desejem colher as flores do seu rebanho. E quem fiz Flores diz Rosas ou Marias!

Ora nessa contingência vêem-se obrigados as substituir, quiçá muitas vezes contra a sua vontade, as coxas, as mamas e ou outros atributos próprios das mulheres das suas paroquianas pelas carnes já velhas do sacristão vesgo, entradote e sempre com cheiro a aguardente barata.
Necessidades! Nem sempre lhes cairá nas mãos um acólitozito ainda imberbe, cujo - na escuridão da sacristia - e com algum esforço de imaginação pode suceder, mas não substituir, as carnes generosas de alguma paroquiana.
Acresce ao facto de terem de ouvir as mesmas paroquianas na confissão. Não nos é difícil de adivinhar, que nestes tempos de canais eróticos, revistas femininas e quejandos, as discrições das paroquianas deverão ser no mínimo bastante gráficas.
Até agora a coisa compunha-se chamando o sacristão e com alguma vaselina.
A partir de agora para os novos tudo é diferente.
Nem Marias nem Flores … nem sacristão e muito menos acólito.
Pobres membros da Igreja. Muita punheta vão tocar.

Segunda carta ao Pai Natal (trovas do vento que passa...)

Carta ao Pai Natal - Manuel Alegre


Pai natal quando voares nos céus da minha Pátria
Quando aterrares as renas nas planícies do meu País
Lembra-te desta carta, pedido singelo
De um homem que só para a Pátria pede
Para si… Nada quis.
Se o nevoeiro que levou D. Sebastião
Te fizer perder o rumo e baralhar o norte
Segue o cheiro a verde pinho
Ouve a minha trova no vento que passa
E chegarás às chaminés do meu país
Pátria desafortunada. Sem euros. Má sorte.
Numa das chaminés de Lisboa
Sentirás o odor e verás o fumo negro da traição
Que o teu trenó sobre ela paire
Que sobre a chaminé de Soares a tua rena páre
E solte bosta. Um imponente cagalhão.

Assinado: Manuel Alegre


(o plágio é do mesmo, homenagem ao anónimo)

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Juro que não é tanga.

Para perceber o que é clicar aqui ou aqui.


5SistrsWntngHsbnds.
NwMenInTwn-Bingly&DarcyFit&Loadd.
BigSisJaneFals4B,2ndSisLizH8sDCozHes
Proud.SlimySoljrWikamSysDHsShadyPast.
TrnsOutHesActulyARlyNysGuy&RlyFancysLiz.
SheDecydsSheLyksHim.
Evry1GtsMaryd.

Por :

Five sisters wanting husbands. There are two new men in town - Bingley and Darcy. They are handsome and wealthy. Big sister Jane falls for Bingley, but second sister Elizabeth hates Darcy because of his pride. Slimy soldier Wickham says that Darcy has a shady past. It turns out that he's actually a really nice guy and really fancies Elizabeth. She decides that she likes him. Everyone gets married
PRIDE AND PREJUDICE, JANE AUSTEN
Segredo e justiça.

As escrituras de compra e venda de bens imóveis são públicas, isto é, ao contrário dos segredos e das confidências devem ser públicas. Muitos outros documentos e registo são públicos outros são confidenciais.
Ora parece que Portugal tem um problema crónico com os segredos. Se calhar pelo facto de serem segredos são mais facilmente alvo da cusquisse e daí à sua divulgação.
Ataranta-se o Sr. Procurador, irrita-se oJuiz, treme o escutado e investiga-se.
Pelo caminho da investigação não se vai a parte nenhuma. Por mais comissões de inquérito que vão agir com todo o rigor e até ás ultimas consequências, como é da praxe dizer-se, não se chega a parte nenhuma.
O Sousita tem uma solução, que não sendo a ideal, iria pelo menos impedir a divulgação dos segredos de justiça tão facilmente. E fazia-se por decreto!
Todos nós sabemos que procurar um documento, dos públicos e a que temos acesso, numa repartição pública é missão impossível. Ora o sistema está em baixo, ora o Sr. Silva – o único que sabe encontrar o processo – está doente e, muito mais frequentemente: ora bolas! Não conseguimos encontrar o processo. Por mais voltas que dê, por mais requerimentos que se faça o desgraçado não aparece.
Assim bastava o governo tornar público o segredo de justiça e sigilosos os registos públicos para facilitar a vida a toda a gente.
Quem queria um registo público bastava ir à Internet ou comprar um jornal, e o sistema judicial podia dormir descansado que nunca mais ninguém encontrava as escutas.

E mais simples, não era?

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

A primeira de quatro cartas ao Pai Natal (a antiguidade é um posto)...

Carta ao Pai Natal - Mário Soares




Pai Natal
Acordei agora da sesta. Tive um sonho original.
Conversei com a Maria
E achamos que não é sonho
Mas uma ideia genial!
Já fui ministro, primeiro-ministro
E duas vezes presidente deste país
Está na hora de mudar de ares
Aceitar novos desafios
Levar mais longe o nome de Portugal
Ou o meu nome… Como sempre quis.
Como tu tenho já uma certa idade
E no ventre a mesma proeminência
Decidi que para o ano quero ser o Pai Natal.
Portanto…
Olha pá faz as malas. Desocupa a Lapónia.
Vou ser eu o Pai Natal.
Tem lá paciência.

Assinado: Mário Soares
(Ex-deputado. Ex-Primeiro Ministro. Ex-Presidente da Republica. Ex-Deputado europeu. Futuro Pai Natal)


Não sei quem é a vítima do plágio, senão dizia!

domingo, 20 de novembro de 2005

Sábado à noite


Final da Saudação a Walt Whitman, do tio Álvaro de Campos, em homenagem à noite de sábado.

Obrigado a T.L.

E a todos.

Quando um dia estiver num lar de terceira idade, já velhinho e muito confuso hei-de começar um relato assim:

- Era no T.L e o ano era o de 2005....

...
Abram-me todas as janelas!
Arranquem-me todas as portas!
Puxem a casa toda para cima de mim!
Quero viver em liberdade no ar,
Quero ter gestos fora do meu corpo,
Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo,
Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras,
Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,
Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas!
Não quero fechaduras nos cofres!
Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado,
Quero que me façam pertença doída de qualquer outro,
Que me despejem dos caixotes,
Que me atirem aos mares,
Que me vão buscar a casa com fins obscenos,
Só para não estar sempre aqui sentado e quieto,
Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos!
Não quero intervalos no mundo!
Quero a contiguidade penetrada e material dos objectos!
Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas,
Não só dinamicamente, mas estaticamente também!
Quero voar e cair de muito alto!
Ser arremessado como uma granada!
Ir parar a... Ser levado até...
Abstracto auge no fim cie mim e de tudo!